1.
Evite
fazer suposições sobre o gênero, a identidade ou o comportamento
sexual de sua paciente.
Deixe-a à vontade para falar, por si mesma, sobre sua vida e suas
questões;
2. Faça perguntas
sobre comportamento sexual, não identidade sexual. Em vez de
perguntar “você é homossexual/lésbica?“ tente “você atualmente tem
vida sexual ativa?” Em caso afirmativo, com quem você se relaciona:
homens, mulheres ou ambos?“ Em vez de perguntar “que tipo de
contraceptivo você
usa?“ tente “você precisa usar contraceptivos?“ Esta
abordagem possibilita que todas as pacientes falem mais
naturalmente sobre suas histórias de vida e seu comportamento
sexual sem receio de uma reação negativa.
3. Faça
perguntas abertas que não impliquem juízos de valor na hora de
recolher informações sobre fatores de estresse e de apoio
psicossocial. Isto demonstra sensibilidade e uma abordagem
integral da saúde de suas pacientes.
4. Saiba
que, em muitos lugares, parceiros de mesmo sexo não são
considerados parentes. Peça que cada paciente defina por
escrito quem ela quer que cuide dela. Por exemplo, deixe uma
linha em branco na ficha de suas pacientes para que elas
indiquem um contato de emergência ou o da companheira.
Incentive as pacientes com parceiras a deixar por escrito suas
vontades no que se refere aos seguintes pontos: (1) nomear a
companheira como responsável pela paciente caso esta se torne
mentalmente incapaz; (2) especificar que a companheira tem pleno
direito de visita em hospitais e em unidades de tratamento de saúde.
5. Saiba
que as mulheres que perderam a companheira de muitos anos ou que
estão vivendo com uma companheira que passa por uma doença
debilitante experimentam o mesmo sofrimento e os mesmos
problemas que uma viúva ou esposa heterossexual.
6. Saiba
que as famílias na comunidade lésbica muitas vezes se
constituem de forma diferente daquelas da sociedade tradicional,
heterossexual. Por exemplo, para muitas lésbicas, os amigos são
a família. Para pacientes lésbicas em unidades hospitalares ou
de terapia, pode ser especialmente importante manter horários
de visitas o mais flexíveis possível.
7. Respeite
a importância do lazer (música e leitura específicas) para
suas pacientes. Diga às que estão doentes ou terminais que
seus amigos podem lhes trazer os objetos pessoais que tornem o
ambiente mais familiar e ajudem no processo de cura ou de
passagem.
8. Verifique,
encaminhe e trate os assuntos relacionados à saúde mental e ao
uso de drogas de suas pacientes. Reconheça a influência
impactante que a
opressão social tem sobre essas questões de saúde. Verifique,
encaminhe e trate os assuntos relativos ao abuso e à violência
seja doméstica, sexual ou homofóbica.
9. Ao
se referir à sua paciente, faça-o com discrição. Se sua
paciente confiou em você e se assumiu como lésbica, tenha isto
em mente ao comentar sobre ela com outros agentes de saúde.
Tente abordar o tema com aqueles profissionais mais sensíveis
às questões da diversidade.
10. Descubra
se há um grupo em sua localidade que ofereça oficinas de educação,
sobre homofobia ou oficinas sobre como providenciar tratamento
adequado para lésbicas, gays e bissexuais, e participe delas.
Se não encontrar oficinas com essa temática, peça a uma
organização LGBT que organize uma para você e seus colegas ou
que indique quem possa fazê-la.
Tradução
e adaptação, por Míriam Martinho, do folheto Caring
for Lesbian Health (Cuidando da Saúde Lésbica) do
Mautner Project, the National
Lesbian Health Organization (Project Mautner, Organização
Nacional de Saúde Lésbica). Washington DC, EUA.
Míriam Martinho, 53, é editora do
site Um Outro Olhar On-line.
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