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Saúde & Beleza
 

Dicas para agentes de saúde melhorarem 
o atendimento a pacientes lésbicas e bissexuais:

Miriam Martinho 

 

1. Evite fazer suposições sobre o gênero, a identidade ou o comportamento sexual de sua   paciente. Deixe-a à vontade para falar, por si mesma, sobre sua vida e suas questões;

2. Faça perguntas sobre comportamento sexual, não identidade sexual. Em vez de perguntar “você é homossexual/lésbica?“ tente “você atualmente tem vida sexual ativa?” Em caso afirmativo, com quem você se relaciona: homens, mulheres ou ambos?“ Em vez de perguntar “que tipo de contraceptivo você usa?“ tente “você precisa usar contraceptivos?“ Esta abordagem possibilita que todas as pacientes falem mais naturalmente sobre suas histórias de vida e seu comportamento sexual sem receio de uma reação negativa. 

3. Faça perguntas abertas que não impliquem juízos de valor na hora de recolher informações sobre fatores de estresse e de apoio psicossocial. Isto demonstra sensibilidade e uma abordagem integral da saúde de suas pacientes.

4. Saiba que, em muitos lugares, parceiros de mesmo sexo não são considerados parentes. Peça que cada paciente defina por escrito quem ela quer que cuide dela. Por exemplo, deixe uma linha em branco na ficha de suas pacientes para que elas indiquem um contato de emergência ou o da companheira. Incentive as pacientes com parceiras a deixar por escrito suas vontades no que se refere aos seguintes pontos: (1) nomear a companheira como responsável pela paciente caso esta se torne mentalmente incapaz; (2) especificar que a companheira tem pleno direito de visita em hospitais e em unidades de tratamento de saúde.

5. Saiba que as mulheres que perderam a companheira de muitos anos ou que estão vivendo com uma companheira que passa por uma doença debilitante experimentam o mesmo sofrimento e os mesmos problemas que uma viúva ou esposa heterossexual.

6. Saiba que as famílias na comunidade lésbica muitas vezes se constituem de forma diferente daquelas da sociedade tradicional, heterossexual. Por exemplo, para muitas lésbicas, os amigos são a família. Para pacientes lésbicas em unidades hospitalares ou de terapia, pode ser especialmente importante manter horários de visitas o mais flexíveis possível.

7. Respeite a importância do lazer (música e leitura específicas) para suas pacientes. Diga às que estão doentes ou terminais que seus amigos podem lhes trazer os objetos pessoais que tornem o ambiente mais familiar e ajudem no processo de cura ou de passagem. 

8. Verifique, encaminhe e trate os assuntos relacionados à saúde mental e ao uso de drogas de suas pacientes. Reconheça a influência impactante  que a opressão social tem sobre essas questões de saúde. Verifique, encaminhe e trate os assuntos relativos ao abuso e à violência seja doméstica, sexual ou homofóbica.

9. Ao se referir à sua paciente, faça-o com discrição. Se sua paciente confiou em você e se assumiu como lésbica, tenha isto em mente ao comentar sobre ela com outros agentes de saúde. Tente abordar o tema com aqueles profissionais mais sensíveis às questões da diversidade.

10. Descubra se há um grupo em sua localidade que ofereça oficinas de educação, sobre homofobia ou oficinas sobre como providenciar tratamento adequado para lésbicas, gays e bissexuais, e participe delas. Se não encontrar oficinas com essa temática, peça a uma organização LGBT que organize uma para você e seus colegas ou que indique quem possa fazê-la.

Tradução e adaptação, por Míriam Martinho, do folheto Caring for Lesbian Health (Cuidando da Saúde Lésbica)  do Mautner Project, the National Lesbian Health Organization (Project Mautner, Organização Nacional de Saúde Lésbica). Washington DC, EUA. 

Míriam Martinho, 53, é editora do site Um Outro Olhar On-line. Leia mais aqui.

 

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