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UOO:
Como surgiu a idéia de fazer um grupo específico dos Alcoólicos
Anônimos para a população LGBT? Desde quando o grupo
existe?
Marlene: Alguns membros dessa população específica
sentiram a necessidade de fazer uma recuperação mais
abrangente, falando também de seu(s) envolvimento(s)
emocional(is). Como isso muitas vezes era difícil em um grupo
heterossexual, por rejeição de membros ou pelo fato da(o)
integrante LGBT não se sentir à vontade, pensou-se em uma
reunião específica que acabou, há 2 anos, transformando-se
em um grupo, apoiado em nossa literatura que faculta essa
existência.
UOO:
Como funciona o grupo (quantas vezes se reúne por semana, mês
e como são as reuniões)? O que é a prática dos 12 passos?
Marlene: Funciona como um Grupo de AA comum, portanto
pratica não só os 12 Passos (clique em http://www.aa-areasp.org.br/sp/passos.htm
para conhecer os 12 passos), como as 12 Tradições
e os 12 Conceitos. Reúne-se às
3ª e
6ª das 19:30 às 21:30, com depoimentos, estudo de
literaturas, unidades e serviços, à Av. Senador Queiroz,
101, 2º Andar, Luz, São Paulo, SP.
UOO:
Quais são os critérios para participar do grupo?
Marlene: Basta cumprir a 3ª Tradição de AA, ou seja,
ter o sincero desejo de parar de beber e, preferencialmente,
ser G, L ou S. Senão há outros ± 200 grupos, na grande São
Paulo, onde a pessoa pode ter uma melhor identificação.
UOO:
Qual a porcentagem de alcoólicos na população em geral?
Marlene: De acordo com dados médicos, de 10 a 20% da
população é alcoólatra.
UOO:
Quando as pessoas devem começar a se preocupar com seu
consumo de bebida?
Marlene: Quando seu consumo de bebida começar a preocupá-las.
UOO:
Pesquisas internacionais apontam o alcoolismo como um dos
principais problemas de saúde entre as lésbicas. E, em relação
aos gays, você acha que o problema também é grande?
Marlene: Um de nossos princípios de recuperação é a
troca de experiências, e temos notado que as conseqüências
do alcoolismo entre gays e lésbicas são semelhantes, embora
nas mulheres as seqüelas apareçam mais rápido do que em
homens. Porém,
ocorrências de DST, incluindo o HIV, são mais comuns
nos gays (o abuso de álcool leva ao sexo inseguro).
UOO:
Vocês têm mais mulheres ou homens no grupo? Há diferenças
entre o alcoolismo em mulheres e em homens?
Marlene: O número de mulheres é menor (± 1/3). Quanto
às diferenças, a mulher tem menos resistência física ao álcool
e é, normalmente, mais condenada pela sociedade.
UOO:
A socialização da população LGBT ocorre ainda
fundamentalmente em bares e boates, onde o consumo de bebida
é alto. Você acha que isso contribui para a disseminação
do alcoolismo nessa população, especialmente entre lésbicas?
Se sim, quais seriam as alternativas de socialização para
LGBT?
Marlene: Evidentemente, em lugares onde a socialização
se dá primordialmente associada à bebida alcoólica
juntamente com a possibilidade de um relacionamento, pessoas
com tendência ao alcoolismo estarão fadadas inexoravelmente
a ele sejam elas gays ou lésbicas. A alternativa seria haver
mais lugares específicos para essa população buscar a
socialização sem a disseminação do álcool.
UOO:
Fale um pouco de sua experiência pessoal (anos, profissão,
estado amoroso) e com
o alcoolismo e de como a AA lhe ajudou a deixar a
bebida.
Marlene: Meu nome é Marlene, tenho 50 anos, sou
professora, tenho atualmente (já há 6 anos) um
relacionamento com uma companheira de A.A. Socialmente comecei
a beber aos 19 anos e parei as 43, pois sou portadora da doença
do alcoolismo, que é progressiva, lenta, incurável e de término
fatal para quem não pára de beber. Antes de chegar nos AA,
passei por uma internação em uma clínica para dependentes,
onde fiquei por 20 dias. Ao sair, procurei um Grupo dos AA,
ingressei e até hoje não bebi. Estou, sempre que posso, em
uma reunião para fazer minha recuperação, procuro praticar
os 12 Passos, inclusive em meu relacionamento, para ter uma
melhor qualidade de vida. Resgatei o que pude do passado, com
relação a minha vida profissional e escolar. Com relação
à vida pessoal, fiz as reparações que pude, perdoei a mim e
aos outros pelo que de ruim se passou e caminho em direção
ao meu futuro, um passo de cada vez, com abstinência,
sobriedade e serenidade.
UOO:
Deixe uma mensagem para nossas leitoras.
Marlene:
Se você tem, ou conhece alguém que tenha problema com bebida
alcoólica e, além disso, seja da comunidade LGBT,
procure-nos. Nós podemos ajudar a resolver o seu problema ( 011-3315.9333
– Plantão 24 horas).
UOO
On-line (01/12/2004)
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