|
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
Cartilha |
| |
|
Prazer sem Medo foi a primeira cartilha sobre saúde para mulheres lésbicas
publicada no Brasil. Sua primeira edição é de 1995, a segunda,
de 1996, a terceira, de 2000, a quarta de 2006 e a última de maio de
2008. Tem sido reproduzida em outros sites e repassada freqüentemente
em listas de discussão na Internet. Esta versão digital que agora
apresentamos reproduz integralmente a versão impressa de 2008, com
pequenas atualizações e modificações gráficas pertinentes ao meio
virtual.
|
Índice da página 1
Conhecendo
o Próprio Corpo
Ciclo menstrual
Saúde
ginecológica: cuidados básicos
Doenças
sexualmente transmissíveis
|
|
Prazer sem Medo |
|
Em
razão da educação machista e da pressão social, muita atenção ainda
é dada à aparência física das mulheres, mas pouca à sua saúde.
Assim, desde pequenas, aprendemos a fazer do espelho um aliado nos
constantes exames que realizamos de nosso visual, mas não recebemos
estímulo para conhecer os órgãos internos e suas funções, embora
este conhecimento seja essencial para a manutenção da saúde e,
conseqüentemente, da própria boa aparência com a qual tanto
sonhamos.
Para as mulheres que transam com mulheres,* a história não é
diferente. Há inclusive, em muitos casos, um agravante: muitas
lésbicas não tomam cuidados ginecológicos básicos por considerá-los
desnecessários delas, já que - dizem - não transam com homens. Em
oficinas sobre sexualidade, nota-se também um grande
desconhecimento, de parte de várias, sobre como são os órgãos
genitais internos, uma ignorância perigosa diante das doenças
sexualmente transmissíveis (DST), o câncer de mama e o cervical.
Talvez, por isso, inclusive, a literatura médica internacional venha
constatando uma grande incidência de câncer tanto de seio quanto de
útero entre mulheres que transam com mulheres.
Nesta cartilha, portanto, nos propomos a iniciar um processo de
informação, da população lésbica e bissexual, sobre a importância
dos cuidados com a saúde, em geral, e com a ginecológica, em
particular, bem como com a prevenção às DST e à AIDS.
Vamos dar uma espiada em nossos órgãos internos e externos, aprender
a fazer o auto-exame dos seios, conhecer as DST mais comuns,
inclusive a temida AIDS, aprender a fazer sexo seguro, enfim, vamos
conhecer dicas básicas de saúde que nos capacitem a ser
participantes ativas do nosso próprio bem-estar.
Miriam Martinho
Rede de Informação Um Outro Olhar.
5
edição maio de 2008
edição para a Web: maio de 2008
*Independentemente de como se autodenominam: lésbicas, homossexuais,
entendidas, gays, sapatões, ladies, fanchas, etc...
|
|
Conhecendo
o Próprio Corpo |
 |
|
Conhecer nosso próprio corpo é um passo a mais no caminho da
autonomia, principalmente em uma sociedade em que a Medicina ainda é
conformada, em grande parte, pelo olhar masculino. Para esse olhar,
por exemplo, os órgãos sexuais femininos são apenas um aparelho
reprodutivo que se torna inútil se não serve ao suposto objetivo
natural de gerar crianças. Daí tantas remoções de útero (histerectomias)
sem sentido, prescritas por médicos, sob o pretexto de evitar um mal
maior para as pacientes.
Nossos órgãos genitais, internos e externos, contudo, têm uma função
bem mais ampla do que a de reproduzir a espécie. Em primeiro lugar,
são parte integral de nossos corpos e tão necessários à saúde quanto
quaisquer outros. Em segundo lugar, têm um papel relevante em nossa
capacidade de sentir prazer. Não apenas o clitóris - esse velho e
querido conhecido das lésbicas - entra em ação para nos dar grandes
momentos de alegria. Toda a região pélvica responde à excitação
sexual e, para várias mulheres, atingir o orgasmo é um trabalho
coletivo do cervix e do útero pressionados por uma penetração manual
ou com dildo (consolo). Conhecer e cuidar bem deste patrimônio, é,
portanto, uma medida essencial não só para manutenção da saúde como
também do prazer.
Como muitas lésbicas demonstram grande familiaridade com os genitais mas pouca com os internos, vamos
começar apresentando primeiro estes últimos.
Na
figura ao lado, à esquerda, você pode ver um desenho mais
esquematizado, situando o aparelho genital interno no quadro maior
do corpo feminino (clique na imagem para vê-la ampliada).
Na
outra figura ao lado, à direita, um desenho dos órgãos internos mais
realista e detalhado. Assim fica mais fácil para você conhecer seus
órgãos (clique na imagem para vê-la ampliada).
|

E agora vamos conhecer melhor nossos órgãos genitais externos. Na
figura abaixo, observe o clitóris, o capuz do clitóris, os pequenos
e grandes lábios (lábios internos e externos), a abertura urinária
(uretra), a abertura vaginal, o períneo e o ânus
(clique na imagem para vê-la ampliada).
Para que serve o clitóris?
Para dar prazer. O clitóris é o único órgão do corpo humano feito só
para dar prazer. Por isso, no passado, alguns homens invejosos
inventaram que apenas o orgasmo vaginal era verdadeiro. Mulher que
dependia do clitóris para gozar era considerada infantil. Bem, mas
isso faz muito tempo.
Hoje se sabe que o clitóris compreende não só a parte visível, o
capuz e a glande, mas também uma parte interna que se estende da
glande até a abertura da vagina e se conecta com um sistema
ramificado de tecido esponjoso presente por quase toda a área
genital. Durante a excitação sexual, esse tecido se enche de sangue
e aumenta bastante, fazendo o clitóris crescer e ficar duro.
De
fato, durante o tesão, os vasos sangüíneos de toda a área pélvica se
dilatam, intumescendo (inchando) não só o clitóris como também os
pequenos e grandes lábios e os órgãos internos numa preparação para
a alegria do orgasmo.
|
|
Ciclo menstrual |
 |
|
Regido pelo hipotálamo e pela hipófise, glândulas situadas na base
do cérebro, e pelos hormônios que elas produzem, o estrógeno e a
progesterona, o ciclo menstrual se inicia na adolescência e termina
na menopausa por volta dos 50 anos. Sua duração é, em média, de 28
dias, embora ela varie muito de mulher para mulher. A menstruação é
uma das fases do ciclo menstrual.
Todo mês, um óvulo maduro é liberado de um dos ovários, seguindo
pelo trato reprodutivo (trompas de Falópio), por 3 a 4 dias, rumo a
um possível espermatozóide. Quando o encontro não acontece, o
revestimento do útero, chamado endométrio, desenvolvido com a
perspectiva de acolher um bebê, rompe-se, em sua maior parte, sendo
eliminado como fluxo menstrual. O óvulo não-fertilizado se
desintegra nas secreções vaginais.
De fato, o fluxo menstrual, além do endométrio, compõe-se de muco
cervical, secreções vaginais e células mortas. Abaixo, apresentamos
um esquema de como este processo ocorre.

|
 |
clique também na imagem ao lado para vê-la ampliada |
Para uma menstruação tranqüila
Algumas mulheres só percebem que estão no período menstrual por
causa do fluxo. Outras, em compensação, sofrem da temida tensão
pré-menstrual (TPM) ou de cólicas bem dolorosas. Em geral, a maioria
apresenta alguns sintomas incômodos antes e durante a menstruação.
No caso das que padecem com a TPM, os sintomas físicos vão da
retenção de líquidos, com aumento de peso, inchaço abdominal,
intestino preso, até dor de cabeça, enjôo, vertigem e seios
doloridos. Os sintomas psicológicos variam da extrema irritabilidade
até a mais profunda depressão, passando por algum abatimento, falta
de concentração, insônia e apatia.
Então, para você não sair por aí tentando esganar a companheira ou
pensando em se atirar pela janela a cada mês, vale a pena observar
algumas dicas. Primeiro, como regra geral, faça exercícios físicos
regularmente ou, pelo menos antes da menstruação (durante também se
possível), caminhe uma meia-hora ou mais.
Depois, capriche na alimentação light, com cereais integrais,
legumes, verduras e frutas. Esqueça coisas gordurosas e
condimentadas. Coma pouco e evite bebidas estimulantes como café,
chocolate, álcool.
Abuse dos chás de artemísia e camomila e experimente ingerir
vitamina B6 e compostos de cálcio e magnésio, estes últimos - claro
- com indicação de sua médica. E seja mais feliz!
Consultar a ginecologista todo ano, ou pelo menos a cada 2 anos, é
uma das formas básicas de se garantir a saúde ginecológica. Há
outras formas de cuidado, todavia, que você mesma pode adotar para
preservar seu bem-estar.
Higiene, por exemplo, é fundamental, mas não vá confundi-la com o
uso indiscriminado de duchas vaginais ou desodorantes íntimos. Estes
costumam transtornar a flora vaginal, deixando-nos sujeitas a
infecções. Use de preferência sabonete não-alcalino para se lavar.
Aposente as calcinhas de lycra e demais materiais sintéticos. Eles
atrapalham a circulação do ar, criando um ambiente úmido e quente
muito propício à proliferação de bactérias que podem afetar a
vagina. Adote calcinhas de algodão.
Limpe-se sempre da frente para trás de modo a impedir a passagem das
bactérias do reto para a vagina. Modere ou evite o uso de tampões
pois podem gerar a proliferação de bactérias incluindo a causadora
do chamado choque súbito, doença que tem como sintomas febre alta,
náuseas e diarréia. Também procure não vestir calças muito apertadas
ou ficar com roupas de banho (maiô, biquíni, etc.) secando no corpo.
Evite ainda compartilhar roupas íntimas. Cada uma na sua. Por fim,
estas medidas também ajudam a prevenir algumas doenças sexualmente
transmissíveis como você verá nas páginas seguintes.
|
Auto-exame dos seios:
Primeiro,
olhe-se no espelho para ver se há mudanças no tamanho e na forma
de seus seios. Depois levante os braços e volte a observar-se.
Em seguida, le vante
um braço e use
a outra mão para se apalpar. Utilize a ponta
dos dedos. No sentido horário, trace círculos, em todo o seio,
da base até o mamilo. Pressione com firmeza para mover o tecido
sob a pele. Em seguida, mude de mão e examine o outro seio.
Deite-se de costas,
com
uma das mãos atrás da cabeça. Com a outra, circule o lado
interno dos seios. Baixe o braço e continue a fazer círculos em
volta deles. Ainda deitada, agora de lado, coloque o pulso sobre
a testa. Examine cuidadosamente a
parte
externa dos seios. Faça desta prática um hábito mensal. Leva
apenas alguns minutos e pode, se você detectar algum nódulo,
evitar que um possível câncer de mama se alastre.
Faça o auto-exame dos seios ou consulte sua ginecologista sempre
após o final da menstruação. Na consulta, não esqueça de
solicitar a realização do Papanicolau, exame de análise das
células do colo do útero, mesmo que tudo pareça ok. Como diz o
ditado, seguro morreu de velho.
|
|
Doenças
sexualmente transmissíveis |
 |
|
As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são enfermidades que
passam de pessoa para pessoa através das relações sexuais,
obviamente, embora também, em alguns casos, por outras vias.
Conhecê-las é a melhor forma de combatê-las. Por isso, abaixo,
apresentamos as mais comuns entre a população em geral, e as que
mais acometem as lésbicas em particular.
|
AIDS
(Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida)
Agente causador: vírus da
imunodeficiência adquirida
(HIV)
siglas em inglês
|
Característica:
doenças oportunistas
devido ao comprometimento
do sistema imunológico: pneumonia, tuberculose,
alguns tipos de câncer,
candidíase, meningites, toxoplasmose, entre outras.
Sintomas:
febre persistente, calafrios, dor de cabeça, dor
de garganta, dores musculares, manchas
na pele, gânglios ou ínguas embaixo do braço, no
pescoço ou na virilha.
*Aparecimento dos primeiros sintomas após exposição
ao vírus (5 a 30 dias,
com uma duração média na faixa de 7 a 14 dias).
Importante lembrar que só
através de teste especifico é possível definir um
diagnóstico de infecção pelo
HIV, já que os sintomas acima podem também se
referir a outras doenças.
|
Tratamento:
anti-retrovirais
Nota:
Após os
primeiros sintomas de exposição ao vírus
HIV, muitos indivíduos só vêm a desenvolver
a aids propriamente dita,
após 10 ou 15 anos da infecção, ou seja, o sistema
imunológico fica
debilitado pela ação do micro-organismo e
vulnerável às doenças
oportunistas citadas ao lado.
|
|
CANCRO MOLE
Agente causador: bactéria
Haemophilus ducreyi
|
Característica:
lesão genital
Sintomas:
de 2 a 3 dias após a contaminação, surgem pequenas feridas,
em forma de botão,
na vulva, vagina ou colo do
útero. Também aparece uma
íngua avermelhada e dolorida
nas virilhas uma semana após o surgimento das feridas.
|
Tratamento:
com
antibióticos.
As lesões costumam
desaparecer em 4
dias.
|
|
CÂNDIDA (MONÍLIA)
Agente causador: fungo
Candida Albicans
|
Característica:
infecção vaginal
Sintomas:
coceira e vermelhidão nos genitais. Corrimento tipo nata de
leite
ou coalhada.
|
Tratamento:
com
antimicóticos.
Dura de 5 a 15 dias.
|
|
CONDILOMA
ACUMINADO
(verrugas genitais)
Agente causador: vírus
HPV (papiloma vírus)
|
Característica:
infecção
vaginal/cervical
Sintomas:
semanas ou meses após a contaminação, surgem pequenas
verrugas na vulva, vagina ou ao redor do ânus. Facilita o
aparecimento do
câncer de colo de útero.
Já existe a vacina quadrivalente recombinante contra HPV
(tipos 6, 11, 16, 18) |
Tratamento:
eliminação das verrugas com
aplicações locais de substâncias ou
cauterização por meio de bisturi elétrico. O
vírus, porém, permanece no organismo.
|
|
CLAMÍDIA
Agente causador: bactéria
|
Característica:
infecção cervical
Sintomas:
micção dolorosa e
corrimento vaginal marrom-claro,
aquoso, com mau cheiro e dores
abdominais. Pode, contudo, ser
assintomática nas mulheres. |
Tratamento:
com
antibióticos. Se não
for tratada pode
originar doença
inflamatória pélvica.
|
|
HERPES GENITAL
Agente causador: vírus Herpes Simples tipo 2
|
Característica:
lesão genital
Sintomas:
aparecimento de pequenas bolhas que se rompem e se
transformam em feridas doloridas. Estas desaparecem
espontaneamente em até 10 dias, mas com reincidência. |
Tratamento:
o
herpes não tem cura, fica para sempre no corpo. Para
amenizar
os sintomas e
diminuir a duração
dos surtos da doença,
utilizam-se remédios
à base da substância
Aciclovir
|
|
SÍFILIS
Agente causador: bactéria
Treponema pallidum
|
Característica:
lesão genital
Sintomas:
aparecimento de ferida (cancro duro) na vagina que
desaparece sem tratamento. Meses depois surgem manchas
vermelhas e ínguas no corpo.
|
Tratamento:
com
penicilina. No caso da sífilis primária, em 5 dias,
desaparecem os
sintomas e, em
6meses, todas as
bactérias do corpo.
Se não tratada, a
sífilis pode levar à
morte. |
|
TRICOMONÍASE
Agente causador:
protozoário
trichomonas
vaginalis
|
Característica:
infecção vaginal
Sintomas:
corrimento amarelo-esverdeado com mau-cheiro, coceira,
ardência ao urinar e dor durante a penetração.
|
Tratamento:
de 5 a 10 dias, com
antibióticos. Se não
tratada, pode levar à esterilidade. |
|
Se não forem tratadas, as DST descritas acima podem passar para o
trato ginecológico superior (útero, trompas, ovários) bem como para
a bexiga e o reto, trazendo sérias complicações, inclusive por
facilitarem a infecção pelo vírus da AIDS.
A clamídia, a gonorréia e a sífilis podem causar doença inflamatória
pélvica, inflamação do reto, infecção da uretra, das glândulas de
Bartholin, problemas de coração, cegueira e até a morte.
Apesar destas graves conseqüências, a maioria das DST pode ser
tratada rapidamente com antibióticos ou terapias naturais ou ser
mantida sobre controle através de terapias apropriadas.
|
clique aqui para continuar a leitura
|
|
 |
 |
|
|
|
|
Um Outro
Olhar On-line © 2004-2008 Rede de Informação Um Outro Olhar
Todos
os direitos reservados. |
|