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UOO:
Primeiro, uma panorâmica: o que a terceira temporada de The L
Word nos reserva? Mais drama, mais comédia, mais profundidade
na abordagem dos temas?
The L Word BR:
A terceira temporada mostra a série um pouco mais sisuda, mais
concentrada em problemas. É como se as autoras quisessem mostrar
que nem tudo são flores como o que foi pintado nas duas temporadas
anteriores. Dessa vez, a série se aprofunda em temas mais
delicados e comuns ao nosso cotidiano, como o rompimento de uma
relação estável homossexual, incluindo disputa pela guarda da
filha; dúvidas de uma personagem sobre sua orientação sexual,
depois de anos em uma relação homoafetiva; dependência química
causada por antidepressivos, por causa de um relacionamento
rompido; doença grave que poderia até ser curada se diagnosticada
no início; transexualidade, entre outros assuntos.
UOO: Que
personagens entram e saem desta terceira temporada e quais mais se
destacam? Também quais retornam das outras temporadas?
The L Word BR:
As
personagens principais são mantidas: Bette, Tina, Alice, Shane,
Dana, Jenny, Helena, Carmen e Kit. Dois novos personagens entram
para o elenco: Moira Sweeney, interpretada pela atriz iniciante
Daniela Sea e Angus Partridge, feito por Dallas Roberts. Depois da
insistência das fãs, a personagem Lara retorna para quase toda a
temporada. Já o indigesto Mark, companheiro de casa de Jenny e
Shane na 2ª. temporada, desapareceu sem explicações e sequer é
mencionado. Tonya e Tim retornam para pequenas participações,
assim como conhecemos o pai da Shane, vivido pelo veterano ator
Eric Roberts.
A terceira
temporada deu impulso às personagens Alice, Tina e ao casal
formado por Shane e Carmen. Moira foi um destaque mais para
negativo, talvez pela superficialidade com que o assunto da
transexualidade foi tratado inicialmente.
UOO:
Personagens têm algumas de suas características mais determinantes
bem alteradas nesta temporada. Por exemplo, a forte e assertiva
Bette Porter parece perder o poder junto com o emprego. E a
“promíscua” Shane é finalmente laçada pela namorada Carmem. O que
as fãs da série acha m dessas mudanças de rumo repentinas?
The L Word BR: A mudança
radical na personagem Bette até pode ser justificada - ela vinha
de uma perda recente do pai (no episódio 12 da 2ª. temporada), da
perda do emprego, do nascimento da filha e da tentativa de reatar
um relacionamento já falido. A Bette não começa a temporada tão
inerte, ela ainda é a pessoa que acredita nos seus ideais, mas não
se sente apoiada pela companheira que, agora responsável pela
parte financeira da família, não esconde que quer controlar os
gastos de Bette. Na verdade, a mudança da personagem foi uma
tentativa das produtoras de “driblarem” a gravidez da atriz
Jennifer Beals (Bette) que, ao contrário do já ocorrido com Laurel
Holloman (Tina) na 2ª. temporada, não poderia ser inserida na
trama de forma convincente.
Já a
mudança da Shane foi mais aceita entre as fãs, pois o par formado
entre ela e Carmen agradou a todas. Na verdade, as pessoas em
nossa lista de discussão se revoltaram quando a Shane traiu a
Carmen.
Mas a
guinada radical que não convenceu muito foi a da personagem Helena
Peabody. De menina mimada e riquinha, ela passou a ser grande
amiga da Alice e uma pessoa preocupada em agradar as outras. Não
que a personagem tenha piorado, mas muita gente especulou que a
explicação para essa mudança tão drástica estivesse na
lacuna de
seis meses da estória, contida entre o final da 2ª. e o início da
3ª. temporada, que logicamente ninguém viu.
UOO:
Também como foi a recepção da personagem Moira (Max), uma transexual,
pelas fãs mundiais da série? A abordagem dada pela série ajudou a
combater o preconceito contra este segmento que existe no meio
lésbico?
The L Word BR:
A
personagem Moira não foi muito bem vista pelas fãs dos Estados
Unidos, principalmente por estar em um período de transição – ela
começa como uma “butch” namorada de Jenny, mas com o desenrolar da
temporada, demonstra não se sentir à vontade em seu corpo
feminino. Para uma grande parte do público, o assunto ainda é
bastante desconhecido.
Moira
tinha tudo para ser uma das personagens mais complexas e ricas da
3ª. temporada de The L Word, mas a construção das situações e o
tratamento superficial do tema não colaboraram. Mas isso foi
somente um princípio de abordagem, vamos torcer para que o assunto
evolua bem nas próximas temporadas.
UOO: A
personagem Dana, exatamente a atleta da turma, se descobre com um
câncer de mama e suas conseqüências. As roteiristas da série
decidiram incluir o tema na trama para fazer um alerta à
comunidade sobre as necessidades de prevenção desse mal?
The L Word BR:
Sim, em entrevistas dadas à Imprensa internacional, Ilene Chaiken,
produtora e idealizadora da série, disse que esse foi o motivo
pelo qual o assunto foi tratado na trama. Foi inclusive inserida a
menção a tratamentos e pesquisas feitas por instituições e médicos
conceituados dos Estados Unidos – como a Dra. Susan Love e seu
livro sobre esse tema. Da forma como foi abordado, nós fãs
sentimos falta de uma visão mais positiva do combate à essa
doença, que é tão grave mas que também conta com esses muitos
recursos de tratamento e até de cura, dependendo do caso. O
importante era mostrar a necessidade de prevenção, que qualquer
pessoa, inclusive a atleta, está sujeita a ser acometida por uma
doença dessas e que deve procurar um médico quando perceber os
primeiros sintomas.
UOO: A
personagem Jenny, ficou marcada por ser a mais chata da turma, com
suas crises existenciais eternas, mas parece que, nesta temporada,
dá a volta por cima e passa a afirmar-se profissional e
emocionalmente. Confere?
T he L Word BR:
Confere.
Antes das gravações da 3ª. temporada, Ilene Chaiken já havia
prometido
não mostrar mais aquelas “viagens literárias” que a Jenny fazia sempre que ia escrever. Os problemas de Jenny agora
são as dificuldades comuns aos escritores mais iniciantes – falta
de editores para publicarem seus livros, ter que arranjar outros
empregos para se sustentar, etc. A personagem da Mia Kirshner está
muito mais feminista e segura de seus sentimentos em relação à
vida e aos seus
desejos, passando a interagir com maior
tranqüilidade com as outras personagens e exercendo papel
fundamental no apoio à transição da Moira.
UOO:
Alguns críticos da série dizem que, além das mudanças de rumo
bruscas, ela chega às vezes a ser até inverossímil, por exemplo
colocando pessoas de nível social bem diferente numa mesma rede de
relacionamentos. Seria possível na realidade alguém como a rica
Helena Peabody ser amiga da Shane, a cabeleireira meio punk da
trama? Vocês acham que essas críticas são pertinentes ou são
exageradas para o que na verdade é um folhetim lésbico?
The L Word BR:
As
críticas talvez sejam um pouco exageradas. Helena se
aproximou do
restante da turma através de Tina (que foi contratada por Helena
para trabalhar com ela) e depois pela Alice, de quem se tornou
grande amiga. A princípio, como era de se esperar, Bette foi a
principal opositora a essa aproximação. Mas a Helena Peabody da
3ª. temporada se mostra carente e sem amigas mesmo com todo o
dinheiro que possui. Na ânsia de ser aceita pelo grupo de amigas
da Alice, onde se inclui a Shane, Helena passa a usar seu dinheiro
para se mostrar generosa: paga festas, cede jatinho particular,
patrocina viagens e hospedagens muito caras. Ela se mostra
insegura, como se pensasse que sem essas demonstrações de
generosidade, elas não seriam suas amigas.
UOO: Na
enquete que fizemos sobre a temporada anterior (a segunda), o
ranking das personagens preferidas ficou assim: Shane, Carmem e
Bete, nos primeiros lugares, e Tina e Jenny nos últimos. Pelo que
vocês conhecem das fãs da série, esse ranking vai se manter ou
mudar na terceira temporada?
The L Word BR:
As
mais aceitas podem permanecer iguais, mas as mais odiadas
mudariam. A Jenny perde seu posto de mais chata para a Moira, que
por sua vez não fica muito longe da Tina. Aliás, Tina e Moira
foram as personagens mais criticadas durante a exibição da 3ª.
temporada nos EUA.
UOO: As
personagens da série continuam aparecendo como mulheres de visual
super-produzido, femininas (com exceção de Shane e agora Moira) e
bem de vida. Mesmo para os EUA, esse é o padrão de uma minoria. E
para nós, no Brasil, apesar dessas diferenças tão expressivas com
a nossa realidade, continua havendo uma boa identificação com a
série e suas personagens? Se sim, por quê?
The L Word BR:
Sim, continua havendo identificação entre as fãs brasileiras e as
personagens da série. Pelo menos na lista de discussão The L Word
BR, que atualmente está com quase 2 mil pessoas, as fãs não
parecem se importar com status social de nenhuma das personagens.
Quando alguém diz que “se viu” na pele de Bette, nunca se refere
ao carro que ela dirige ou à roupa que veste. Percebemos que essa
identificação sempre diz respeito às ligações afetivas e aos
problemas amorosos pelos quais as personagens passam. E traições,
incertezas, paixões incontroláveis e dor-de-cotovelo independem de
status financeiro e/ou social.
UOO: Que
a série contribui para apresentar as lésbicas como quaisquer
outras pessoas, ainda que glamurosas demais para a realidade, é um
fato. Mas o quanto a série também não está conformando à própria
comunidade lésbica não só na elevação da auto-estima mas também
numa maneira de ser e agir?
The L Word BR:
Algumas participantes de nossa lista de discussão disseram que,
por causa de The L Word, puderam ver que as relações lésbicas são
iguais às ditas “relações normais” (hétero), que as mulheres
homossexuais não são “bichos-de-sete-cabeças”. Já outras disseram
que só começaram a identificar o que sentiam depois de assistir à
série. Um terceiro grupo, ainda, vê TLW somente por curiosidade.
De qualquer forma percebemos que a série quase sempre induz à
reflexão por parte de quem a assiste.
UOO: Nos
EUA, a série já vai para a quinta temporada e, no Brasil, a Warner
já adquiriu os direitos de exibição da quarta, passando a
transmiti-la agora às segundas-feiras no seu prime time. Enfim, a
série continua bem-sucedida, apesar de algumas críticas. A que
vocês atribuem esse sucesso?
The L Word BR:
Em
relação à Warner Channel, The L Word ganhou uma maior atenção do
canal depois que centenas de fãs exigiram que os episódios da
primeira temporada fossem exibidos na íntegra – na época, em 2005,
a Warner chegou a exibir ainda os 5 primeiros episódios com cortes
das cenas de sexo e com legendas pouco adequadas. Principalmente
por causa das reclamações das fãs brasileiras, toda a América
Latina passou a assistir aos episódios novamente e sem cortes,
desde o primeiro.
Quanto ao
público, dois motivos principais: algumas pessoas se identificam
com as aventuras e desventuras das nossas heroínas, vivem as dores
e torcem por elas, como se assistissem a uma novela onde as
personagens lésbicas não são somente duas pequenas inserções
pinçadas em um monte de capítulos. Além do mais, muitas fãs gostam
de ver mulheres lésbicas bonitas na telinha, fazendo o que elas
próprias costumam (ou querem) fazer também no cotidiano: beijando
a companheira, despedindo-se com selinho, ter um grupo de amigas
onde nenhuma se preocupa com a maneira que as outras são e, muito
importante, a bonita interação entre amigas lésbicas.
UOO:
Agradecendo mais uma vez pela entrevista, gostaria que deixassem
uma mensagem para nossas leitoras seguramente todas fãs da The L
Word.
The L Word BR:
Nós que agradecemos pela entrevista e recomendamos
às fãs de The L Word que não deixem de assistir a essa terceira
temporada, com suas abordagens de assuntos importantes e
fundamentais, que sempre dizem respeito a todas nós.
Que
venham a 3ª.,a 4ª. e a 5ª. temporadas e quantas mais forem
produzidas!
Para se associar
à lista The Lword BR, visite a página http://br.groups.yahoo.com/group/thelword_br/
e o site
www.thelwordbr.com.br.
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