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UOO
- Seu nome (ou nick), idade, profissão, onde mora, e o
nome da lista da qual é owner.
Martha: Martha Vasconcelos, 28
anos, jornalista, paraibana mas residente em São Paulo. A lista da
qual sou owner, juntamente com a Luriana Cohen (41, engenheira -
moramos juntas há mais de 5 anos), minha
companheira, é a The L Word BR.
Temos
também o site é de mesmo nome que está em fase de
atualização (ver endereço no final da entrevista).
UOO
- Logo que a lista foi lançada, 2004 (?), uma de
suas usuárias escreveu um artigo, para a UOO, sobre a primeira
temporada da The L
Word
e falou um pouco do trabalho de vocês. Como
tem sido a evolução
da lista, o que vocês oferecem
nela, além de discussões sobre a série?
Martha:
Sim, a lista "nasceu" em 2004, 25 de fevereiro, mais
precisamente. De lá para cá, já somos 1500 pessoas, em sua grande
maioria mulheres, que adoram
The L
Word. Talvez nossa maior
contribuição e/ou oferecimento seja de debates
inteligentes sobre os assuntos mais pertinentes à série: traição,
comportamento, "saída do armário", sexo seguro,
bissexualidade, transexualidade, sobre "butch" e
"femme", entre tantos outros pontos. Há antropólogas,
psicólogas, advogadas, médicas, todas colocando suas experiências
e seus pontos de vista sobre os assuntos mostrados em
The L
Word
: o
que é coerente, o que não é, o que é interessante ser abordado
ou de que forma teria sido melhor.
UOO
- The L Word emplacou a quarta temporada nos EUA.
Quando ela estará começando por lá?
Martha: A Showtime, canal que
produz e exibe
The L
Word nos EUA, anunciou a 4a. temporada para
Janeiro de 2007. Estima-se que seja no dia 7 de Janeiro, mas ainda não
há uma confirmação oficial, pois agora que as
gravações começaram em
Vancouver no Canadá. Essa data é variável, pois na 3a. temporada,
a Showtime havia divulgado Fevereiro, mas acabou adiantando a estréia
para 8 de Janeiro.
UOO
- A que você atribui o sucesso do seriado? O fato
de ser história sobre o cotidiano de lésbicas (coisa inédita até
o surgimento da
The L
Word
) justifica por si só esse sucesso ou há
algo a mais que a sustente?
Martha: Não é muito fácil
definir, com exatidão, a receita do sucesso de
The L
Word Talvez o
fato de ser sobre lésbicas e seus cotidianos tenha sido o primeiro
ponto de interesse, o que atraiu a atenção inicial das pessoas
para a TV. Era novidade, era excitante, erótico, misterioso,
exposto pela primeira vez e não escondido em subtextos como Xena ou
delegado à função de coadjuvantes como em várias outras
séries.
A 1a. temporada foi mais introdutória,
várias personagens e situações foram mostradas, mas todas
superficialmente. Talvez o chamariz dessa temporada inicial tenha
sido principalmente o sexo, o humor e as estórias emaranhadas que começavam
a despontar nos dois núcleos principais, um deles liderado pela
Jennifer Beals (Bette) e Laurel Holloman (Tina) e o outro pela Mia
Kirshner (Jenny).
UOO
-
The L
Word
estaria para Xena, a Princesa
Guerreira em que termos?
Martha:A série Xena não tinha
a intenção de tratar a amizade de duas mulheres como um
relacionamento amoroso. A idéia acabou vindo de fora para dentro:
as fãs que começaram a idealizar o "algo mais" entre as
duas e, aceitando essa suposição,
a produção começou a embutir "cacos", falas de duplo
sentido, situações que poderiam sugerir esse "algo
mais". Mas nunca, em momento algum, ficou explícito que havia realmente um relacionamento íntimo,
inclusive envolvendo sexo, entre Xena e Gabrielle. Em Xena, um beijo
era mascarado pela intenção de se levar água à companheira, a
amada é chamada de "melhor amiga" ou alma gêmea, entre
outras coisas.
The L
Word não é assim, não se
agarra a eufemismos nem mascara o que está ali, na tela, para todo
mundo ver. O beijo é o beijo entre duas pessoas que se gostam ou se
desejam, o sexo é levado às últimas conseqüências, há orgasmo,
há clímax, os casais são realmente de amantes, dividem a mesma
cama e não fingem ser apenas boas amigas.
The L
Word já começou
assim, fez o caminho inverso de Xena, foi da
produção para as fãs.
UOO
- Sobre a segunda temporada que estréia dia 23 de
julho, às 23:00, na Warner, o que podemos esperar em relação à
primeira? O casal Tina e Bette permanecem no centro da trama? Você
acha que a série evoluiu da
primeira para a segunda
temporada?
Martha:
A 1a. temporada deixou três principais situações em aberto, no
suspense, para serem desenroladas na temporada seguinte. São elas:
Bette e Tina brigadas por causa da traição de Bette; Jenny entre 3 amores - e morando no quintal de
seu ex-marido; Alice tendo beijado a Dana, sua melhor amiga,
deixando duvidoso o futuro da amizade delas.
Bette e Tina permanecem no centro
da trama, mas as outras personagens crescem, deixam de ser meros
componentes de uma cena para adquirirem as suas próprias
individualidades. As tramas são mais aprofundadas, os assuntos
passam a ser mais sérios, em geral sobre comportamentos e até
um pouco de direitos civis e políticos.
Os problemas apresentados deixam de ser relativos à casa, comida ou
balada e ganham proporções intimistas. Alice, Dana, Shane e Kit
ganham autonomia na trama e passam a ter seus próprios
problemas a serem resolvidos.
Em relação à 1a. temporada, a
2a. também conta com uma produção bem mais caprichada, mais
investimento, mais patrocinadores, uma abertura personalizada e
participações de atores e pessoas de importância política dos
EUA, como a Gloria Steinem (famosa e pioneira feminista americana) e
Arianna Huffington (conhecida analista política e econômica).
UOO
- A atriz que interpretou a Marina, na primeira
temporada, deixou a série para tristezas de muitas. Sabe-se a razão
da saída?
Martha:Apesar de não passar de
especulações, comentou-se sobre um desentendimento entre a atriz,
Karina Lombard, e a produção da série. Na metade da 1a.
temporada, a personagem Marina foi "desconstruída" de
sua figura de caçadora, mulher
independente e dona de seu próprio nariz. Em termos populares, foi
"detonada". Mostrou-se submissa, controlada, sustentada
por uma companheira que fazia questão de exibi-la como um troféu, apenas
um rosto (e corpo) bonito a ser contemplado. E ainda não é
oficial, mas comenta-se que a personagem poderá voltar, para poucos
episódios, na 4a. temporada da série.
UOO
- Quais são as caras novas da segunda temporada?
Martha: Além de duas
personagens femininas, há um personagem masculino (o qual vai dar o
que falar) que entra para preencher o "vazio" deixado pelo
Tim, que só participa do 1o. episódio. Sarah Shahi, descendente
de iranianos, entra no papel de
Carmen, uma DJ latina e sensual que vai mexer com os corações de
duas personagens. Rachel Shelley chega como Helena Peabody, filha de
Peggy Peabody, milionária que financia a exposição
"Provocations" de Bette na 1a. temporada. Helena será uma
mulher mimada e achando que pode comprar a tudo e a todos, e vai ser
pivô de maiores desavenças entre o casal Tina e Bette. E o papel masculino é o Mark, interpretado
por Eric Lively, que vai representar o voyeurismo dos homens em relação
às lésbicas. Um personagem controverso que foi bastante criticado
pelas fãs no mundo inteiro, inclusive por nós.
UOO
- Comenta-se que a série faz muita questão de passar
uma imagem feminina das lésbicas, deixando de lado as mais
masculinizadas. Haverá mais espaço para a diversidade do mundo lésbico
na segunda temporada?
Martha: Para esse assunto, a
principal demonstração de que essa abertura começa, é a Shane. O
figurino da Shane ganha terninhos, gravatas, camisas e outros acessórios
masculinos. Mas fora o vestuário, que
parâmetro devemos usar para
classificar as lésbicas como masculinizadas? Atitudes ou maneira de
se comportar em relação à maquiagem ou roupas? Tudo é relativo,
mas o leque da variedade se abre na 2a. temporada e mais ainda na
3a.
UOO
- Você que administra uma lista específica sobre a série,
como analisa o impacto desta sobre o público lésbico brasileiro?
Você acha que apesar das diferenças culturais, entre a realidade lésbica
americana e a brasileira, as
brasileiras se identificam com as personagens e a trama da série?
Por quê?
Martha:
As lésbicas brasileiras, pelo
menos o que vemos entre as 1500 pessoas da lista e as mais de 1000
na comunidade do Orkut (muitas são comuns entre os dois meios), se
identificam e muito com The L Word.
Mesmo que a trama se passe em Los
Angeles, mostre mulheres que vivam em uma realidade totalmente
diferente da nossa, os assuntos mostrados não diferem tanto assim
de nossas vidas. Na verdade, a identificação com
a série surpreendeu até as mais céticas, que no princípio
criticaram fortemente The L Word por mostrar essa realidade que
chama de fantasiosa - mesmo sem nunca terem assistido à série,
tirando conclusões apenas pelas propagandas e aparências mostradas
nos vídeos promocionais. Com o desenrolar da série, começou-se a
perceber que aquilo que era mostrado é universal para as lésbicas:
casal que vive junto há algum tempo e quer ter filhos, uma mulher
que até então só se relacionava com homens e se
"descobre" apaixonada por uma outra, a garota que se
apaixona pela sua melhor amiga, o envolvimento com uma mulher,
casada com um homem, que prefere romper esse affair a ter que se
assumir e largar o conforto e status de um casamento hétero.
Podemos não viver em West Hollywood ou caminhar pelas ruas
ensolaradas da California, mas todas nós já vimos ou vivemos algo
assim. Essa identificação foi percebida e quase todos os dias
vemos uma dessas usuárias da lista contar algo que praticamente
reproduz o que vimos na série. Temos percebido também que as fãs
heterossexuais, por incrível que pareça, têm se identificado de
alguma maneira, e também conseguem se ver nos problemas mostrados
na série. Muitas até dizem estar adorando saber que as lésbicas
podem ter vidas tão normais quanto qualquer pessoa hétero.
UOO -
Você acha que The L Word ajuda as mulheres a se sentirem mais à
vontade com sua orientação sexual?
Martha: Acho, e muitas dizem
isso na lista, e também que até criaram coragem para viver o que já
achavam que eram. The L Word, segundo elas, despertou uma
curiosidade de conhecerem, finalmente, o que sentiam. E estarem em
um ambiente onde a maioria é de lésbica fã da série - dois
pontos em comum - deu coragem para muitas delas se abrirem, contarem
suas experiências. Algumas se conheceram através da lista e até
se casaram, mudaram de cidade e de país. Outras nem conheciam
direito o que era uma lista de discussão, mas ao assistirem a The L
Word na TV, sentiram uma imensa vontade de procurar com quem
conversar a respeito e correram
para a Internet.
UOO
- Qual a personagem que provoca mais suspiros entre as
usuárias de sua lista? E qual a menos popular?
Martha:No começo da 1a.
temporada, a Marina arrancava suspiros e declarações de amor da
maioria. Mas no decorrer da trama, duas personagens (e suas
respectivas atrizes, claro) ganharam força total
entre as fãs de nossa lista: a
Bette e a Shane.
Bette representa a mulher forte,
decidida, que toma as rédeas de sua própria vida - e da dos
outros, se permitirem. Jennifer Beals é alvo de grandes elogios em
relação à sua atuação e, principalmente, à sua sensualidade.
Já a Shane espelha a mulher
independente, apaixonada pela vida e pela liberdade, que "é de
todas, mas não é de ninguém". Fisicamente, também é a mais
cobiçada. Entre as mais novas, Shane é figura quase certa no
caderninho de "preferida das
preferidas".
A menos popular foi, por 2
temporadas, a Jenny, de Mia Kirshner. A estória conduzida ao seu
redor e os devaneios literários protagonizados por ela, fizeram com
que suas cenas se tornassem as mais cansativas da série, sendo
alvo, assim, de muitas críticas. Isso só veio melhorar na 3a.
temporada.
UOO
- Por fim, deixe uma mensagem para nossas leitoras
relativa à serie. E obrigada pela entrevista.
Martha:Também gostaríamos de
agradecer à UOO pela entrevista e dizermos para quem ainda não
conhece a série: assista. The L Word é um programa pioneiro, feito
por lésbicas e, embora algumas vezes se diga o
contrário, para lésbicas (e não
para homens). E para quem gostar, saiba que tem uma lista onde as
pessoas são elas mesmas e falam de suas impressões, experiências
e vidas comparadas ao que se vê em The L Word.
Para se associar, visite a página http://br.groups.yahoo.com/group/thelword_br/
e veja nosso site
www.thelwordbr.com.br. |