Entrevista
 

The L Word estréia hoje (10/07/05), às 23:00 na Warner Channel, com o mérito de ser a primeira série explicitamente lésbica exibida na TV. Trata do cotidiano de amigas e suas aventuras e desventuras na cidade  de Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos. Embora não seja fenômeno de audiência em sua terra natal, já emplacou uma terceira temporada e rendeu muitos sites e blogs pelo mundo afora. Nesta entrevista, conversamos com Bete Vilar, do blog The L Word BR, que nos fala dos melhores episódios da série e de como ela refletiu positiviamente na imagem das lésbicas junto a sociedade em geral. Abaixo clique nas imagens e conheça as personagens que compõem o seriado.  Míriam Martinho

 

Alice Pieszecki (Leisha Hailey)

Bette Porter 
(Jennifer Beals)

Dana Fairbanks
(Erin Daniels)

Kit Porter (Pam Grier)
Jenny Schecter
 (Mia Kirshner)
Marina 
(Karina Lombard)
Tina Kennard 
(Laurel Holloman)
Shane McCutheon (Katherine Moennig)
   
Tim Haspel 
(Eric Mabius)

Tina e Bette

   
 

UOO: Qual seu nome, idade, profissão, cidade onde vive, e o nome de seu blog. 
R: Meu nome é Bete Vilar (nome fantasia), sou administradora de empresas e moro em Belo Horizonte. O nome do meu blog é The L Word Br.

UOO: Quando surgiu o blog e qual a razão de sua existência, já que a série só começa a ser exibida agora no Brasil?
Bete: Surgiu quando descobri o seriado através do site http://www.clublez.com/movies/ (2003).  A razão foi mostrar às brasileiras que não tinham acesso aos episódios o que se passa na série.  

UOO: O que o blog tem feito em prol das fãs da The L Word e o que pretende fazer agora que a série será exibida na TV?
Bete: Como disse anteriormente, repassar informações que não conseguimos aqui no Brasil, visto que o site da Showtime (site oficial da série) é disponível apenas para os americanos. E o legal do Blog é que @s internautas interagem (inclusive pessoas que moram em outros países) deixando seus comentários e até novidades preciosas a respeito da série. 

UOO: Quando a série foi lançada nos Estados Unidos e em que cidade acontece a história?
Bete: A série foi lançada em fevereiro de 2004. A história se passa em Los Angeles, Califórnia.

UOO: Sobre o que trata a série? Já ouvi dizer que é uma espécie de Sex and the City lésbico. 
Bete: Olhe, para ser sincera com você, nunca assisti a nenhum episódio de Sex and the city, mas pelo que ouço penso que seja parecido sim, mas the L Word tem mais drama. É claro que a  série tem seus momentos de humor, mas o teor é mesmo mais para o drama. 

UOO: Outro comentário que li é que, principalmente na primeira temporada, a maioria das personagens é femme (as nossas ladies brasileiras), femininas e bonitas, pois a intenção dos produtores era atrair também o público masculino. Você diria que The L Word caracteriza bem a realidade lésbica ou está mais para heterossexual ver?
Bete: Depende do ponto de vista. Conheço mulheres lindas que são les e outras nem tanto que também são. Acho que a produtora da série, Ilene Chaiken quis colocar mulheres atraentes, bonitas, inteligentes para mostrar que nem toda lésbica é necessariamente "butch", que muitas são femininas também.

UOO: O que a primeira temporada teve de melhor e de pior? E a segunda? Qual episód0o é o mais imperdível dos imperdíveis nas duas temporadas?
Bete: Primeira temporada: acho que o que pegou todas nós que já assistimos de surpresa foi o desenrolar dos episódios 11, 12 e 13 e o final da temporada, bastante intenso em relação às emoções, inseguranças. Pessoalmente, os episódios que mais gostei foram: 01- Pilot, 02 -
Let's do it, 05 Lawfully; 07 L'ennui; 12 Locked-up e 13 - Limb From Limb (final da temporada). Do que não gostei foi a personagem de Tonia, namorada de Dana (Erin Daniels), pois faz um tipo pedante e interesseiro.
Já a segunda temporada não foi tão boa quanto a primeira na minha opinião. A personagem de Mia Kirshner (Jenny), com bastante destaque em todos os espisódios,  faz um tipo de que não gostei , como uma escritora em dificuldades com a carreira e a vida amorosa, por isso tornando-se amarga e capaz de atitudes discutíveis. O positivo foi a entrada da nova atriz Rachel Shelly(Helena Peabody) por sua beleza e elegância, apesar dos problemas de caráter. Quanto aos melhores episódios da segunda temporada,  fico com: 04 - Lynch Pin ; 06 - Lágrimas de Oro; 07- Luminous; 08- Loyal  e 09 - Late,Later, Latent. E das duas temporadas, os melhores episódios foram: 01 - Pilot (primeira) e 09 - Late, Later, Latent (segunda).

UOO: Comparando as duas temporadas, qual você considera melhor (roteiro, caracterização das personagens, interpretações)?
Bete:
A primeira temporada como disse acima.  Jennifer Beals (Bette Potter) e Laurel Holloman (Tina) fazem uma belíssima interpretação principalmente no último episódio da 1ªtemporada. Na 2ª temporada, apesar de eu não gostar da personagem, Mia Kirshner(Jenny), dá um show de interpretação e Alice e Dana também estão excelentes. Jennifer Beals e Laurel Holloman mantém o bom desempenho da primeira temporada, com Laurel Holloman fazendo uma grávida muito sensual.

UOO: The L Word vem sendo definida pela mídia como uma série polêmica. Você diria que por causa da temática em si (uma série enfim explicitamente lésbica) ou pela forma que aborda a vida das personagens? As lésbicas brasileiras vão considerar a série polêmica?
Bete: A série é polêmica devido ao preconceito que infelizmente ainda existe. Tudo que não é aceito em nossa sociedade passa a ser polêmico, mas acredito que as lésbicas brasileiras não terão motivo para ver a série dessa perspectiva. É uma série como outra qualquer só que aborda o relacionamento amoroso e sexual entre mulheres. The L word não é uma série obscena e foi justamente por isso - acredito eu - que teve tanto sucesso em vários países e que acabou sendo comprada para ser exibida aqui no Brasil.

UOO: Você acredita que The L Word tem também um papel político, quer dizer, também ajuda no processo de aceitação da lesbianidade e na luta por nossos direitos? Você acha que ela abre caminhos ou é apenas reflexo de um caminho já pavimentado anteriormente? Ou um pouco das duas coisas?  
Bete: Com certeza abre caminhos sim. Em vários grupos vejo que até mulheres hétero e homens passaram a ver o relacionamento lésbico com outros olhos, e isso  - acho importante frisar - é pelo fato da série não apelar somente para o lado sexual. Ela mostra os relacionamentos também  do ponto de vista afetivo, ressalvando que sobretudo são pessoas que se amam, independente da orientação sexual.

UOO: The L Word está partindo agora para a terceira temporada nos Estados Unidos. Você acredita que este sucesso se repetirá no Brasil?
Bete: Acredito que será ainda maior, visto que já tivemos duas novelas no horário nobre que abordaram o tema lésbico com boa receptividade do público.

UOO: Por fim, como é de praxe em nossas entrevistas, eu peço que deixe uma mensagem para nossas leitoras. E obrigada pela entrevista.
Bete: Para todas que ainda não viram a série, eu espero que gostem dela como eu e que saibam enxergar os sentimentos além do "rótulo". Obrigada eu Miriam pela oportunidade.  

THE L WORD FICHA TÉCNICA ( PRODUTORES E ROTEIRISTAS): Ilene Chaiken, Rose Troche, Guinevere Turner, Steve Golin 

The L Word BR (atual The L Word Fan Fics)
http://thelwordfanfics.blogspot.com/


* As fotos exibidas nesta página têm apenas o intuito de divulgar a série. O copyright é da Showtime. 

 

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