Espaço GLS de Dança de Salão:
Entrevista com Carla Lazazzera (primeira à
direita), dançarina e coreógrafa da
Academia
de Dança Il Ballo e do Espaço GLS
UOO:Carla, fale um pouco de você
e de sua formação como bailarina.
Carla Lazazzera
(CL):
Sou formada em Dança pela UNICAMP e trabalho
profissionalmente na área há 17 anos.
UOO:Há quanto tempo você trabalha
com a Academia de Dança Il Ballo e quantas pessoas formam
sua equipe?
CL:A Il Ballo tem quatro anos, e
o Espaço GLS é um bebê de quase quatro meses. No total,
temos uma equipe de 18 profissionais.
UOO:Vocês ensinam todo tipo de
dança na Il Ballo, desde a clássica até a popular?
CL:Sim, temos balé, jazz, dança
do ventre, dança flamenca, techno disco, e mais onze
modalidades diferentes de dança de salão.
UOO:Neste ano, você decidiu abrir
o Espaço GLS de Dança de Salão. O que a levou a tomar esta
iniciativa?
CL:Eu já tinha esse projeto há
muitos anos. Como artista, sentia a necessidade de criar
algo novo e, vendo meus amigos gays tentando dançar samba
juntos, descobri que eles precisavam de uma dança adequada
aos casais do mesmo sexo.
UOO:E por que especificamente a
dança de salão?
CL:A dança de salão tradicional
é formada por um homem e uma mulher. Como na nossa sociedade
não é aceito dançar sobretudo “homem com homem”, era
impossível um casal de gays entrar numa aula de dança de
salão e dançar junto. Resolvi criar um Espaço onde os casais
de gays e de lésbicas possam dançar com seus parceiros sem o
preconceito das outras pessoas.
UOO: Existem diferenças entre a
dança de salão para o público hétero, gay e lésbico? Quais
seriam?
CL:Não necessariamente. A
diferença maior é no formato do casal. Com relação aos
passos, alguns são os mesmos e já outros são criados ou
adaptados, sem que se perca a essência da dança.
UOO:Neste domingo (19/08/07), no
evento do dia do orgulho lésbico, cerca de 50 mulheres
experimentaram – algumas pela primeira vez – os primeiros
passos do merengue, da salsa, do forró, do samba-rock e da
dança do ventre. Sabemos que foi a primeira vez que
trabalhou com o público lésbico. O que achou da experiência?
CL:Adorei. Elas responderam bem
à nova técnica e se divertiram bastante. Temos que entender
que a dança é uma linguagem universal. Qualquer pessoa tem a
capacidade de aprender, basta ter vontade e pessoas
qualificadas para ensinar.
UOO: Quais as perspectivas que vê
para esse trabalho, além da formação de grupos de dança?
CL:Já temos duas turmas formadas
que iniciaram suas aulas este mês e, além de estar criando
uma nova leitura para dança de salão, quero ajudar na quebra
de preconceitos, levando meu Grupo de Dança de Salão GLS a
eventos, espetáculos de dança, feiras, etc.
UOO:Sabe se existem outras
iniciativas como a sua em outras cidades brasileiras?
CL:Em outras cidades eu não sei,
mas aqui em São Paulo já existe.
UOO: Por último, deixe uma
mensagem para nossas leitoras.
CL:Queridas, é muito difícil
criar e implantar algo novo nesse país, onde a arte é muito
pouco divulgada e o preconceito é muito grande. Mas minha
equipe e eu estamos dando o primeiro passo, dispostas a
trilhar esse caminho e precisamos de vocês. Vocês é que vão
mudar a história da Dança de Salão no Brasil. Venham
conhecer o Espaço, experimentar uma aula e ver o quanto é
divertido e prazeroso. A dança é uma ótima atividade física.
Faz bem para o corpo, mente e alma. Beijos a todas.
SP, 27/08/2007
Espaço GLS Dança de Salão
Al. Itu, 167, conj. 27, 3284-4473
Perto do metrô Trianon/Masp