Seções

Cultura

Direitos

EcoLógica

Em Movimento

Enfoque

Entrevistas

Horóscopo

Lazer & Cia

Saúde & Beleza

Símbolos & Dias

Integração

Enquetes

Links Legais

Sua Opinião

ponto de encontro

colaboração

pesquisas

 
 
 
 
 
Entrevista
 

VI ENCONTRO DE LÉSBICAS-FEMINISTAS
 LATINO-AMERICANAS E DO CARIBE
LÉSBICAS CONSTRUINDO NOSSA HISTÓRIA
24 A 28 DE NOVEMBRO DE 2004

por Redação 

 

Os Encontros Lésbico-Feministas Latino-Americanos e do Caribe surgiram, como idéia em 1986, quando ocorreu em Genebra, na Suíça, a 8 Conferência do Serviço Internacional de Informação Lésbica (ILIS), organização já encerrada. Neste evento, um dos maiores de todos os tempos, ao reunir cerca de 600 mulheres lésbicas de diferentes países, lésbicas latino-americanas e asiáticas se encontraram pela primeira vez, resultando desse intercâmbio, uma rede lésbica asiática e, na América Latina, a realização de encontros regionais. 

 O primeiro encontro se deu, no México, em 1987, e depois houve outras versões na Costa Rica (90)  Porto Rico (92), Argentina (95) e Brasil (99), onde passou despercebido. Agora, em sua sexta versão, o encontro retorna ao México, após 17 anos, e assessorado pela Internet e as facilidades tecnológicas atuais, busca resgatar essa história e fazer avançar os direitos lésbicos no continente, com a ousada missão de conciliar ativistas das mais diferentes concepções políticas. 

Participei do primeiro encontro em 1987 e do quarto, na Argentina, dois eventos opostos em corpo e espírito: o primeiro, extremamente conflituado e realizado em condições precárias; o segundo, embora situado longe de Buenos Aires, com melhores acomodações e muito mais tranqüilo do que o primeiro. Do quinto, realizado no Rio, participou Luiza Granado, da Um Outro Olhar, que deu, como destaque positivo do evento, a configuração para os encontros posteriores, da adoção do sistema de consenso modificado, onde em caso de duas posições divergentes, deve-se buscar uma terceira convergente e, no caso da manutenção da divergência, deve-se partir para uma votação, onde por dois terços dos votos, uma das propostas será considerada vencedora, embora a outra tenha garantido seu registro nos anais do encontro. A prevalecer este sistema, haverá chances de produzir-se um encontro que realmente traga avanços ao até hoje alivanhado, embora corajoso e persistente, movimento lésbico regional.

E para falar do VI encontro entrevistamos Cecília Riquelme Ugarte (foto ao lado), chilena radicada no México, 47 anos, editora da revista mexicana Las Amantes de la Luna, pesquisadora histórica, professora de Português, pintora e fotógrafa, e participante da atual comissão organizadora do evento.  

UOO: Primeiro, Cecília, uma pergunta sentimental: como se sentem voltando a organizar o Encontro de Lésbicas Feministas no México? Quantas organizadoras do primeiro encontro estão presentes neste agora?  
Cecília: Com respeito à parte sentimental, todas sabemos que manter-se por muitos anos neste tipo de ativismo é desgastante e implica muita disposição. Somente uma de nós que participou da organização do primeiro encontro está novamente neste esforço coletivo, mas temos também ativistas de duas décadas do movimento e muitas caras novas. Aliás, acho genial que novos rostos apareçam no encontro de um movimento lésbico regional que tem crescido paulatinamente e precisa demonstrar sua maturidade, realizando uma reflexão política e fazendo acordos que nos permitam seguir avançando na luta por nossos direitos, além de  desfrutar também da parte humana que têm os encontros. O trabalho é árduo, porém creio, que vale a pena voltar a ter um encontro latino-americano no México.

UOO: Qual o eixo principal do encontro e quais os secundários?
Cecília: As mulheres da comissão temática e conceitual estão trabalhando uma proposta de temas para o encontro que trarão a público em breve e será discutida com todas as organizadoras. Além disso, estamos trabalhando também com a agenda lésbica que é uma lista de discussão na Internet aberta para lésbicas da região que queiram propor temas de discussão (veja como se inscrever ao final da entrevista). De fato, já há vários fóruns com temas como mães lésbicas, ciberlesbianismo e ciberfeminismo.

UOO: Quais são as comissões que compõem a organização do encontro? 
Cecília: As comissões do encontro são as seguintes:

· Temática e conceitual: está encarregada de realizar uma agenda temática para a discussão do encontro, a metodologia e finalmente a produção das memórias do encontro;

·  Resgate histórico: desenvolverá um trabalho retrospectivo, resgatando a riqueza dos encontros anteriores mediante entrevistas, documentos, vídeo-gravações e fotografias, e também produzirá um trabalho final com as recompilações de materiais, a ser provavelmete registrado em CD.

·  Cultura: cheia de atividades, até agora já realizou uma exposição de fotos e de documentos do movimento lésbico, várias performances (fazem registros de casamentos simbólicos para reivindicar a legalização das uniões lésbicas; fantasiam-se de Sor Juana, Frida Kalo e outras mexicanas famosas). Estarão encarregadas de todas as atividades culturais durante o encontro, onde haverá várias escritoras, fotógrafas, videastas, exposições de documentários e música.

· Traduções: será responsável pela tradução simultânea durante o encontro e mantém as traduções das páginas do site  em inglês, francês e português;

·  Página Web: mantém e atualiza o site do encontro;

·  Financiamento: responsável pela busca de recursos  a fim de poder financiar bolsas para algumas companheiras;

. Finanças: administra  os fundos que estamos levantando com a realização de atividades;

·  Logística: busca todo o necessário para o bom funcionamento do encontro: o  local onde nos hospedaremos e teremos as actividades;

·  Difusão: responsável pela divulgação das atividades que estamos realizando para a própria comissão organizadora e para a sociedade mexicana e outros países

UOO: Como será o critério de representatividade e tomada de decisões?
Cecília: Os critérios de representatividade e tomada de decisão são os que foram  tirados no encontro anterior. As decisões tomadas em um encontro somente podem ser modificadas em outro encontro. No Brasil, decidiu-se pela permanência da representação individual, e não por grupos ou países, com direito de voz e voto, para latinas, e de voz para não-latinas.

UOO: Todos os encontros têm momentos difíceis, e vocês até criaram a figura da mediadora de conflitos. Quem serão essas mediadoras?
Cecília: A mediação de conflitos será realizada pela comissão organizadora dentro da própria, auxiliada por uma pessoa externa com experiência no assunto.  

UOO: Como e onde está sendo feita a divulgação do encontro? 
Cecília: A divulgação do encontro está sendo feita de várias formas: pela página da web, outras páginas, listas lésbicas da região, mídia impressa, semanas da diversidade em distintas universidades...  
 

UOO: Quais são as diretrizes e as expectativas da comissão organizadora em relação ao encontro?
Cecília: A comissão organizadora é um grupo heterogêneo e diverso, e não temos diretrizes quanto a temas prioritários. Nossa maior expectativa é possibilitar o espaço e as condições para que o encontro se realize com sucesso. 

UOO: O encontro está tendo financiamento, terá condições de oferecer bolsas às interessadas? Se sim, como proceder para concorrer a uma bolsa?
Cecília:  O encontro está encarregado, através da comissão de Finanças, de buscar recursos  para poder financiar algumas pessoas. Já discutimos os critérios e quando soubermos de quanto dinheiro teremos para esse propósito, faremos uma convocatória com informações para quem quiser postular uma bolsa.

UOO: Por fim, que mensagem gostaria de deixar às leitoras brasileiras?
Cecília: Gostaria de dizer, para as manas brasileiras, que os encontros podem ser um lugar de discussão política, de reflexão, mas também um lugar de aprendizagem, de encontros de todo o tipo e, sobretudo, um lugar onde se encontram nossas vidas, maneiras de ser. Cada encontro tem sua vida própria, e cada mulher o vive como quer porque não há regras para vivê-lo.


Tradução e Edição: Míriam Martinho
Créditos: Figura: Poster do VI ELFLAC (da página do encontro)
Fotos: Parada da Cidade do México, 2004, Cecília Riquelme Ugarte
Introdução histórica: Centro de Documentação da Um Outro Olhar: boletim ChanacomChana jun/set-1986, boletim Um Outro Olhar 19/20, 1993,  e revistas Um Outro Olhar 22 e 31  

Entrevistas Índice

Comentários
Nome:
E-mail:
telefone:
Cidade:
Estado:
País do exterior

Deixe seu comentário sobre o artigo acima

 
 

Comentários

Um Outro Olhar On-line © 2004-2008 Rede de Informação Um Outro Olhar
Todos os direitos reservados.