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Outras
Sexualidades: BDSM entre lésbicas
Se a orientação (homo)ssexual ainda provoca desconforto em
muita gente, principalmente nos conservadores e fanáticos
religiosos, imagine quando ela vem associada a práticas
sexuais que fogem do senso comum. Conscientes de nosso papel
de estar abrindo espaço para todas as tribos e expressões
lésbicas imparcialmente, vamos, então, na entrevista que se
segue, deixar de imaginar e conversar com uma adepta de uma
série de práticas sexuais, geralmente envoltas em inúmeros
tabus, que vêm agrupadas pela sigla BDSM (Bondage,
Disciplina e Sadomasoquismo).
Freqüentemente associada à violência, ao sexismo, e até
mesmo a distúrbios psicológicos, as práticas bdsmistas no
entanto são realizadas por gente comum, de todas as idades,
profissões, crenças religiosas, etnias, etc... que não se
diferenciam das demais a não ser por seus apetites na cama.
As pessoas envolvidas nesses jogos são mulheres e homens de
diferentes orientações sexuais, que se engajam em práticas
inteiramente consensuais, por isso não violentas, onde
várias vezes inclusive a mulher é a dominadora e o homem, o
submisso. Entre pessoas homossexuais, também vemos que a
aparência dos parceiros muitas vezes não condiz com o que se
supõe que possa rolar em suas camas, entre mulheres, não
raramente, com a femme (a parceira feminina) sendo a
dominadora da sapata ou butch (a parceira masculinizada).
Arte dramática do sexo, o BDSM traz para o erotismo o
discurso do teatro por excelência, onde as práticas sexuais
se dão em cenários, são chamadas de cenas ou sessões, as
pessoas interpretam papéis de dominadoras ou dominadas ou às
vezes até variam esses papéis e seguem roteiros
determinados. A linguagem é pesada, condizente com a peça da
dominação-submissão, e deve ser lida, como toda a arte,
metaforicamente. Com vocês, nossa entrevistada Rainha
Dominadora.
Miriam Martinho
_______________________________________________________
UOO.
Em primeiro lugar, qual seu nome (nick), idade, profissão, a
cidade em que vive?
RD.
Em primeiro lugar Míriam, obrigada pelo convite, sinto-me
honrada. Sou Rainha Dominadora, 32 anos, funcionária pública
e moro em Porto Alegre.
UOO. Rainha Dominadora,
para começo de conversa, o que é BDSM?
RD. BDSM a príncipio é a sigla de um jogo erótico, que
significa Bondage, Disciplina e Sadomasoquismo. O objetivo
desse jogo é proporcionar e prolongar o prazer entre as
pessoas envolvidas.Tudo de maneira sã, segura e consensual.
BDSM não é perversão, mas uma maneira de ter e proporcionar
prazer, estimulando tanto o físico quanto o psicológico.
UOO.
Quando você começou a praticar BDSM?
Fale um pouco de sua trajetória.
RD. Sempre tive minhas fantasias...risos... Estas envolviam
coisas pouco convencionais, como cordas, algemas, chicotes,
roupas em couro, saltos altos e uma linda mulher ajoelhada
aos meus pés, pronta para me dar prazer e ser usada por
mim.. Pratico BDSM há 6 anos. Mas sempre fui Dominadora. A
princípio, meus desejos não tinham um nome, pois eu não
tinha conhecimento do meio BDSM. Mas eu queria fazer isso,
tinha
vontades e muito desejo. Na adolescência, assisti alguns
filmes bem light onde havia cenas com algemas, cordas e
dominação feminina e ficava muito excitada. Ficava
imaginando que um dia eu faria o mesmo. Mas o meu lado
feminista acabava falando mais alto e dificultava as coisas.
Era complicado para mim querer dominar um ser tão especial
que é a mulher. Eu me questionava sobre a sanidade do ato,
pensava que ao dominar uma mulher a estaria desvalorizando...
Mas depois de alguns relacionamentos em que sempre faltava
um “algo mais”, aos
poucos comecei a tornar a fantasia realidade. Queria viver
esta intensidade que é um relacionamento BDSM. Havia feito
algumas práticas com namoradas, mas não era uma entrega
plena. Então, há pouco mais de 2 anos, comecei a procurar na
net sobre Sadomasoquismo. Entrei em listas de discussão no
Yahoo e descobri um mundo novo, que era tudo que eu buscava
em termos de prazer. Depois disso, terminei um
relacionamento e fui em busca de uma escrava. Ela acabou se
tornando além de escrava, namorada e agora moramos juntas.
UOO.
Você decidiu abrir uma lista de discussão
(BDSMLesbos) em
2004... Qual o objetivo da lista?
RD.
O objetivo da lista BDSM LESBOS é desmistificar o BDSM
entre mulheres e fazer com que outras mulheres lésbicas
saiam do armário no meio BDSM. Por incrível que pareça,
parece ser mais difícil, até em listas de discussão, se
assumir lésbica e bdsmista. Acho que há uma carga dupla a
carregar. E para fazer isso nas duas frentes é necessário
muita coragem. Mas aos poucos, a minha lista está contando
com maior número de associações de lésbicas. Muitas
ainda
continuam tímidas, mas aos poucos acabam se soltando. Para
muitas ainda é complicado assumir o desejo por uma mulher,
imaginem por sadomasoquismo!
UOO.
De onde veio a inspiração para o seu nome? O que é uma
Rainha no BDSM?
R: Este Nick foi uma homenagem de uma ex-namorada que
gostava de alguns jogos eróticos que eu fazia com ela... Uma
Rainha é uma dominadora especializada em alguma técnica,
arte ou área em BDSM. No meu caso em específico, sou tanto
Dominadora quanto Sádica. Gosto de "torturas" físicas e
psicológicas com minha Submissa/masoquista.
UOO.
O que são dommes e subs?
RD.
Dominadora é aquela que domina, castiga, adestra, guia e
ensina a escrava nos prazeres da carne e da dor. Submissa ou
escrava: ela está sempre pronta a servir e agradar à Dona,
sempre que ela determinar.
UOO.
Qual a diferença entre a relação de dominação e submissão
numa relação abusiva e numa relação BDSM?
RD..
A diferença é simples: numa relação D/s(Dominação e
submissão), as práticas são realizadas de maneira
consensual. Após muitas conversa, ficamos sabendo dos
limites da outra pessoa e isso é sempre respeitado. Embora
a superação de limites seja deliciosa para ambas as
partes... Numa relação abusiva, não há sanidade, consensualidade e segurança. Sempre há o algoz que não
respeita o ser humano que está ao seu lado. Uma relação de
violência não proporciona prazer e felicidade, mas problem as
físicos e psicológicos muitas vezes gravíssimos. Em BDSM, a
busca está no prazer. Dar e ter prazer é o princípio de
tudo. Explorar pontos de prazer nunca antes sentidos ou
revelados e prolongar essas sensações.
UOO.
Cite algumas práticas sexuais entre mulheres em BDSM.
RD.
Nossa há muitas práticas maravilhosas..(risos). Dogwoman
(a escrava é uma cadelinha, de coleira, guia, e se comporta
como uma), ponyplay (a escrava é uma egüinha, com direito a
arreios, sela e rabinho de égua), Bondage e Shibary
(basicamente amarrações, com vendas, mordaças, algemas,
lenços e cordas), spanking (castigos que incluem chicotes,
palmatórias, açoites, canes, varas, chinelos e as próprias
mãos. etc...), velas, podolatria (adoração dos pés da Dona),
fisting, blood sports, etc... Há muitas práticas em BDSM.
UOO.Algumas
práticas em BDSM envolvem dor. Dá pra rimar prazer e dor?
RD. Com certeza, mas devo salientar uma coisa: na minha
relação há esse mix, pois eu e minha submissa (namorada)
apreciamos..Sou tão
Sádica
quando dominadora, e minha sub é muito masoca. Há pessoas
que não gostam da dor, gostam mais da submissão e
vice–versa. Nossa sintonia é perfeita, quanto mais a
“torturo”, mais ela goza (hehehe..)
UOO.
O que é SSC (Sadio, Seguro e Consensual)?
R: A própria sigla diz: as relações BDSM sempre respeitam
esta tríade. Sem isso não há jogos. E sempre devemos ter uma
palavra de segurança, no caso da submissa querer parar a
Cena. É muito importante observar todas as reações dela para
saber se podemos avançar com as “torturas”... Ser Rainha
rima com responsabilidade.
UOO.
Existe muito preconceito contra o BDSM entre lésbicas? Qual
foi a reação das pessoas não-bdsmistas (baunilhas) quando
souberam de suas preferências?
RD.
Meus amigos baunilhas não sabem que sou Dominadora, acho
que desconfiam Ninguém precisa saber o que faço em cima de
uma cama... Ser lésbica é muito diferente, tem a ver com a
alma. Em relação ao preconceito, há um pouco sim, pois
existem Dominadores que acham que todas as mulheres devem
ser escravas e sempre tentam uma cantada de mau gosto. Mas
isso eu tiro de letra, coloco eles no lugar que lhes cabe
(risos). Outra situação, eles temem a perda de suas escravas
para nós e esboçam reações interessantíssimas... 
UOO.
Por fim, deixe um recado para nossas leitoras.
RD.
Mais uma vez agradeço a oportunidade de apresentar o
mundo BDSM. Esta é só mais uma prática de nossa sexualidade
que pode trazer muito prazer. Se quiserem saber mais sobre
ela e me conhecer melhor, visitem minhas páginas ou me
mandem um e-mail. Bjinhus no coração e Gozem muito meninas
!!!!!!!!
Rainha Dominadora.
Edição: 06/01/2006 (SP)
http://rainhadominadora.nafoto.net
http://rainhadominadora.weblogger.terra.com.br/index.htm
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Quem lê esta entrevista lê
também Gozai Muitíssimo
Notas:
A lista BDSM Lesbos foi encerrada
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