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Qual
seu nome (pode ser o nick), idade, formação e profissão?
R: Butch F., 49 anos, superior incompleto, atualmente trabalhando
com informática. Natural do Estado Rio de Janeiro /Rio de Janeiro.
Quando e como surgiu o Uva na Vulva? Qual a
proposta de trabalho?
R: O Uva Na Vulva é o resultado de um encaixe perfeito, de corpos,
sentimentos e idéias, entre uma butch e uma femme, Butch F. e Femme
C. Nossa proposta era a de gerar informação a partir de nossos
conhecimentos e, também, de nossa própria experiência, pessoal e de
vida.
Por que uma página específica sobre sexo entre
mulheres? Existem outras?
R:Justamente para poder passar e multiplicar essas informações.
Também para discutir, desmistificar, valorizar, dar visibilidade e
até mesmo glamourizar, o amor, o sexo, a sexualidade e o erotismo,
nos relacionamentos entre mulheres e no universo lésbico como um
todo.
Que eu saiba, na época em que começamos, há uns dois anos e meio
mais ou menos, não existiam outras páginas dentro desse formato.
Mesmo hoje, ainda acho que somos muito carentes em comparação com o
que já existe por aí, infelizmente quase tudo em sites de língua
estrangeira - nesse caso refiro-me a sites lésbicos de um modo
geral, mas também, e, principalmente, aos voltados para o universo
do sexo e sexualidade lésbica. Exemplos:
Susie Brigth -http://www.susiebright.com-
e
Fairy Butch -http://www.fairybutch.com-
, duas experts, americanas, e muito famosas em assuntos desse
gênero. Também faço uma ressalva aos sites e blogs portugueses,
maiores em número, eu acho, e muitas vezes mais antenados e
arrojados que os nossos -nesse caso refiro-me a sites e blogs GLBT
de modo geral e não só específicos sobre sexo/erotismo ou
sexualidade lésbica. Neles, o que chama a atenção é a visão,
geralmente mais ampla, e o conteúdo bem mais rico e menos “cute,
cute”, que eles trazem do universo GLBT. Aqui as opções também são
muitas, mas nada que uma busca rápida no Google ou mesmo no Sapo -http://pesquisa.sapo.pt
por “blogs lésbicos” ou qualquer coisa do gênero não aponte.
Exemplos:
http://www.portugalpride.org/blogayesfera
- “A mais completa e atualizada listagem de blogs gays, lésbicos,
bissexuais e transgenders em Portugal”.
O
que é ser uma butch e ser uma femme?
R: Ser butch é ser mulher antes de qualquer coisa. É mesclar o
melhor da energia feminina ao melhor da energia masculina criando um
gênero de essência impar, apesar e além de aparências ou
comportamentos normalmente MAL-conceituados como sendo exclusivos
do SEXO masculino. "Femmes, são mulheres que se sentem atraídas por
mulheres, mas que gostam e não abrem mão do papel tradicionalmente
feminino criado pela sociedade. Muitas vezes, femmes se sentem
atraídas por butches e vice-versa, mas simplesmente porque esta
parece ser uma boa combinação de energias, e não porque desejem
imitar modelos heterossexuais. “ (Susie Bright)
Qual a diferença entre uma butch e um homem?
R: Pra mim, TODAS. Butches não são e nem querem ser ou parecer
homens. Não são transexuais /transgêneros, transgressoras sim. É
preciso entender que essa energia que convencionamos chamar de
masculina não é exclusividade só de homens.
Você não acha que as butches e femmes
reproduzem os velhos papéis sexuais de homem e mulher, ativa e
passiva?
R: Claro que não. Sexo, SEXUALIDADE e gênero são coisas
completamente distintas. Quem disse que toda butch é ativa ou que
toda femme é passiva? Essa obrigatoriedade não existe. Na cama cada
uma procura sua identidade, que nem precisa ser fixa e nem ter
necessariamente nada a ver com o gênero nem mesmo com o sexo
genético de ninguém. Conheço homens completamente passivos na cama e
mulheres que são ativíssimas. Quem pensa que na cama devem existir
padrões e papéis fixos está engessado, e fazer sexo engessado ou com
alguém assim deve ser um horror.
Até que ponto o que se faz na cama não se
reflete no cotidiano das pessoas?
Você falou, por exemplo, que as fem mes
adotam o papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Esse
papel determina que a mulher seja passiva na cama e no dia-a-dia,
que seja sustentada por outra mulher a quem deve obediência em menor
ou maior grau. Tenho uma colega chegada num SM básico que diz que o
problema é que algumas mulheres confundem a horizontal com a
vertical, ou seja, se são subs (submissas) na cena SM querem ser no
cotidiano também. Você acha que no caso butch e femme se corre esse
risco? Antigamente, na época das fanchonas e ladies, isso acontecia
mesmo. E hoje como rola isso?
R: Mas as cabeças mudaram, evoluíram graças a deus! E esse papel,
esse comportamento também mudou muito de lá pra cá. Mulheres não são
mais submissas, nem no sexo nem em seus relacionamentos, sejam homo
ou hetero. Quem não acompanha isso é retrógrado, está desatualizado,
e isso não pode ser bom.
Sobre como as coisas funcionam dentro de uma relação SM, posso
falar pouco ou quase nada. Sei apenas que nesse caso a submissão faz
parte do jogo erótico/sexual, mas não que necessariamente tenha que
refletir na vida cotidiana dessas pessoas.
Respondendo a pergunta: Bem, eu diria que não. O que se faz na
cama, em regra, não precisa refletir no cotidiano de ninguém. Tanto
que não é raro ouvirmos queixas do tipo, “Que decepção! A butch era
tão machona e na hora da cama se revelou uma “ladie”, totalmente
passiva.” (risos)
Reflexo de cama no cotidiano, pra mim, só se for no estado de
humor. Sexo bom, bom humor. Sexo ruim, mau humor. Ou na pele, dizem
que sexo bom deixa a pele ótima! (risos)
Existe
muito precon-ceito contra mulheres masculinizadas no meio lésbico. O
que acha disso e como resolver?
R: É, infelizmente existe sim. E esbarramos com ele toda hora. E eu
acho péssimo. E acho também que na maioria das vezes esse
preconceito é fruto principalmente da falta de esclarecimento, da
desinformação. Pré-conceituar, estigmatizar e principalmente
generalizar as lésbicas masculinas todas dentro desses estereótipos
de caminhoneira, barraqueira, feia, cafona, vulgar, encrenqueira,
agressiva e outros adjetivos do gênero, é burro, ultrapassado e
extremamente preconceituoso. As Cássias (Eller), Vanges (Leonel),
Ellens (DeGeneres) e muitas outras, todas butches, todas lindas,
maravilhosas e bem-sucedidas, estão aí para desmistificar isso.
Imagino que a melhor maneira de lidar com isso é como estamos
fazendo aqui, levantando e discutindo o assunto. Informando e
esclarecendo.
Você acha que as lésbicas brasileiras são
conservadoras quando se trata de falar de sexo? E de fazer? Como
você avalia a cama das lésbicas brasileiras?
R: Sim, muito, e as duas coisas. E não só as lésbicas, mas
principalmente elas. Mas já melhorou bastante, muitos tabus estão se
dissolvendo. Acho que o primeiro passo é sempre falar, muito e
sobre. Buscar e trocar informação também. Abrir a mente e, claro,
praticar. Mais coragem, meninas! Prazer não é pecado é um direito. E
que pertence e está ao alcance de todas.
Como você vê as relações sado-masoquistas
(dominadoras e submissas) entre mulheres? Existem grupos de lésbicas
SM no Brasil?
R: Normal. Vejo como vejo qualquer outra prática, sendo consensual e
dando prazer... E aí caímos no velho e bom clichê do "qualquer
maneira de amor-e de amar-vale a pena". Quanto a grupos de lésbicas
SM, não tenho essa informação. Sei que existem muitas lésbicas
praticantes do SM, mas nunca ouvi falar de algum grupo que fosse
especialmente delas.
O que você acha do uso de brinquedos sexuais
nas relações entre mulheres?
R: Acho que é um plus e tanto. Sou uma adepta! Pode não ser
essencial, mas com certeza é especial.
Você acha que deve existir um padrão de
relações sexuais entre mulheres ou na cama o que deve prevalecer é a
fantasia que leve ao gozo mútuo?
R:
Nada, absolutamente nada, deve estar engessado a padrões. Fantasia é
tudo. Gozar é o máximo. E tudo deve ser experimentado, saboreado e
plenamente compartilhado.
Por
fim, deixe um recado para nossas leitoras e obrigada pela
entrevista.
R: Beijos pra todas, ou, como dizia a Femme C., gozai muitíssimo!
Mais informações:
BUTCHES E O PRECONCEITO DENTRO DO PRECONCEITO", no post de
10.05.05 >>>
http://uvanavulva.erosblog.com.br/index.php?m=200505.
www.uvanavulva.com.br
Acesse também
http://www.darkplay.net/intro.html e baixe
um vídeo erótico lésbico.
Quem lê esta entrevista lê também BDSM entre lésbicas
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