Como diria meu saudoso avô: “Mal por mal, venha o
Diabo e
escolha”. Depois dos últimos fatídicos dias o
que encarar vai ser lucro. Chuveiro estoura as 18:30
após 10 horas de trabalho e muita espuma pelo corpo: “
Calma Cassiane, só um dia ruim”. Um não, dois. Na
manhã seguinte, a televisão (que costuma não colaborar
muito comigo) do nada, absolutamente do vago, não liga
mais. Sem ruídos, sem explosão, sem brigas, sem se
despedir. Como se não bastasse tenho possibilidades
mínimas de arrumar uma kit. Jesus! Numa cidade de
pouco mais de 230 mil habitantes, não tem uma kit para
alugar.
“Tem uma casa ótima, próxima do seu trabalho. Três quartos sala de
jantar”, diz a funcionária de uma imobiliária. “Ou então aquele
apartamento de dois quartos e uma sala de leitura no coração da
cidade”. Penso: “Será que não fui clara? Falei Kit, um quarto
cozinha ou um cômodo grande e um banheiro ou, se preferir, uma
saleta sem divisórias. Será difícil entender?”. Falo: “Não, minha
linda, obrigada, mas quero uma kit mesmo”.
No
caminho de volta para casa, observo que tenho umas quinhentas pontas
duplas no cabelo (nossa como estou lesada). Para uma mulher que
tirava a sobrancelha toda a semana, me sinto jogada às traças. Sem
tempo, sem grana. E lá retornam as passagens inesquecíveis de meu
avô: “Minha neta, dinheiro não traz felicidade”. Ok vovô, mas ajuda,
que diga o extra das campanhas eleitorais (aliás, pensem sempre
muito bem antes de votar, meninas)
Se
minha vida está difícil? Nada. Tropeço, mas não perco a pose. Fora
que se for ver os problemas dos outros, penso que são bem piores (já
imaginou ter um pai, amigo, ou sei lá o quê chamado “Filas
Masssacrais”? (nome fictício, mas o ser, pelas Barbas do Profeta,
existe). Ai Cristo, me joga longe!
Problemas! O mundo é rodeado deles. Até as pessoas mais calmas e bem
sucedidas têm. Não é uma unanimidade nossa. E mais uma vez remeto ao
avô conselheiro: “querida,
cada coisa a seu tempo”. Verdade! Pode levar tempo,
dinheiro, paciência, unhas, mas logo se encontra a solução. E se a
“resolução do fato” está demorando mais do que a última compra de
lingerie da sua namorada (tipo prova, prova e não leva nada) calma!
A recompensa bem que compensa (no final ela fica sem nada mesmo).
Com os problemas não é diferente: temperança é o remédio. “De
moeda em moeda se faz uma fortuna”.
Quem diria que hoje me relaciono amigavelmente com minha ex, que por
sinal me emprestou a tv (obaaa! Hoje tem coletânea de clipes dos
anos 90. Amo, sou fã da nostalgia até o último fio de cabelo
alisado). O tempo é o remédio para todo e qualquer problema, meus
amores.
Se
o dia foi ruim hoje se lembre: você ainda tem saltos e cabelos
longos para “se jogar” para mundo. Ou então coloque aquelas calças
de tergal de trocentos bolsos e aquele “tênis luxo” que te deixa
poderosa e repita comigo: “Se melhorar... vira festa”!
Cassiane Chagas, 28, é
jornalista e radialista