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O
que falar do tempo? Cada um tem o seu. Tempo de
partir, de voltar. Tempo de pensar, de repensar, de
recolher. Tempo de conhecer, de se entregar, de
omitir, de arriscar (tic-tac, tic-tac). Cada pessoa
dentro de seus conceitos, culturas e dogmas tem o
tempo certo para tomar suas decisões. Quem atropela
esse tempo pode se arrepender.
Tenho conhecido pessoas maravilhosas através destes
bate-papos e aprendido muito com elas, sabe como é,
tudo que vem de uma alma feminina me encanta... Ok, a
esposa sabe bem disso e justamente seu toque angelical
e leve é que me faz flutuar há poucos três anos.
Toquei no assunto da minha lindinha não apenas para
dizer o quanto ela é especial para mim (eu sou difícil
de demonstrar), mas também porque a minha história de
amor com a Heb, minha esposa, é bastante parecida com
a da Ana Luiza Mendes, de São Paulo (e também com a de
quase toda a torcida do Flamengo). Prazer, Ana, como
vai a sogra? Brincadeirinha...
Ana vem passando por uma situação difícil porque sua
gata tem uma senhora de uma mãe-problema. Saco! Sei
bem o que é isso, ainda é difícil lidar com a minha.
Mas, continuemos, por sua energia carregada e cheia de
negatividade, mais conhecida como preconceito contra a
filha amar outra garota, ela proibiu Ana de visitar o
seu docinho-de-coco (desculpa a expressão meio retrô).
Ana, amiga, na boa, não cobre muito da sua namorada,
no tempo certo ela vai entender que te ama tanto, ou
te curte tanto (ou nada disso... tomara que não) que o
melhor a fazer é sair de casa. A verdade é que amando
muito ou pouco as nossas famílias, algumas, como a
minha, estão servidas de mães que, em hipótese
nenhuma, vão aceitar que sua filha ame outra mulher e
vão achar até a morte que nós vamos morrer assexuadas.
Para isso a solução é curta e grossa, como se diz no
interior: “Pegar o rumo da roça”.
A Heb sofreu muito para me conquistar, pelo fato tanto
de eu ser uma mocinha difícil e irresistível (tenho
que vender o meu) como da minha mãe ser dura e não
aceitar que tinha uma filha Lésbica, e com L do
tamanho dos seios da Pamela Anderson (enoooormes).
Tivemos que enfrentar juntas várias pendengas das
brabas até para os dias de hoje, como chantagens,
ofensas, humilhações. Mas tudo passou e no tempo certo
peguei minha trouxinha púrpura, meus coturnos e saltos
altos e fui embora. Morei sozinha por dois anos até
novamente o “tempo” surgir e eu me sentir preparada
para dividir minha vida com a Heb.
Na realidade, o que tem de ficar claro é o que a
garota sente por você, e se ela conhece seus próprios
sentimentos. Se ela tem dúvidas sobre que atitudes
tomar e o que decidir, mais uma vez o tempo vai ter
que entrar em ação, e eu te digo: “Dê tempo ao tempo”.
Mas lógico, amiga, neste vai-não-vai, arruma um
lugarzinho para dar uns amassos gostosos nela, pelo
amor da minha fivela de couro. E viva a sociedade
alternativa!
Cassiane Chagas, 28, é jornalista e radialista
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