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Respeito é bom e, no mínimo, demonstra educação
Cassiane Chagas
 

Tem coisas neste mundo que não mudam, por mais que joguemos sal grosso... Afe! Hei de explicar. A história é a seguinte, meus amores: em um sábado normal para mim como tantos outros — nos sábados eu levanto cedo e vou trabalhar —, lá mesmo no trabalho a gente estava discursando muito sobre o mundo, a necessidade de se plantarem mais árvores, de tentarmos erradicar a corrupção através do voto, essas coisas. Então todo mundo concordou que ações humanitárias devem ser praticadas imediatamente e que a vida não se limita apenas à cor do cabelo da Beyonce ou a qualquer ato insano de popstars sem lenço nem juízo. Enfim...

 Nos sábados, costumo voltar para casa lá pela uma da tarde, às vezes mais cedo, às vezes mais tarde, mas nesse sábado a uma em ponto eu já estava preparando o almoço para a minha namorada. Sabe como é, uma faz num dia a outra faz no outro dia, e assim caminha a humanidade... Vou eu, na minha santa ignorância, ligar a televisão num desses canais que vendem horários para programas independentes — em alguns casos, independentes e ignorantes. Não sei bem qual a profissão nem o papel do cidadão que me apareceu na telinha, um tipo muito elegante, com roupa sofisticada, sapato bem engraxado, sentado a uma mesa com uma bíblia aberta na frente dele e... vomitando palavras que eu, meu bem, tive de engolir.

 Na sua “tese”, baseada no nada concreto, esse senhor lançou um questionamento com as seguintes palavras:

— Porque não posso chamar os homossexuais de doentes se eles podem me chamar de homofóbico?

Você acredita?  Fiquei bege, louca, extremamente contrariada com essa afirmação sem pé nem cabeça. Pelo amor das minhas botinas... Em que mundo eu estou? Fora a minha patroa, que também ficou muito enraivecida de ouvir isso tudo...

 Sabe, lindinhas, como é que uma pessoa pode se classificar como um missionário ou um mensageiro da palavra de Deus, se não respeita nem o irmão da frente? Acho que vou ter que mandar uma carta para esse cidadão, avisando a ele que todos somos diferentes... Graças a Deus. Alôôô, meu querido, saber amar e respeitar o próximo que é diferente de você é uma ação cristã, viu?

Tá, tudo bem, eu sei o quanto é difícil para um ser humano evoluir com uma mentalidade tão pequenininha dessa, mas mesmo assim faço questão de responder a esse cidadão. Meu querido, sabe por que o senhor não pode chamar os homossexuais de doentes? Porque não somos. E mais: nos ofender é crime, cidadão.

Ok, depois desse desabafo, nada melhor que um banho frio, uma roupa levinha e um cooler bem geladinho para acalmar os ânimos. Principalmente quando se substitui a taça por uma “barriguinha apetitosa”... Aí dá até para matar um leão . Ulalá!

Cassiane Chagas, cristã e... lésbica

Cassiane Chagas, 28, é jornalista e radialista

 

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