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Olha
só o Natal aí. É, meus amores! Sininhos, luzes
coloridas por todos os cantos, corais à beira da
praça... Sentimentalismo à flor da pele, aumento das
ações voluntárias de amor ao próximo. Perdão àqueles
que necessitam, um abraço de apoio ao filho, ao pai, à
mãe, ao irmão homossexual. Ok, honey, nem tanto, não
vamos exagerar.
No dia do Natal costumo conversar bastante com o
tiozinho, mais conhecido como Papai Noel (amigo de
noitadas nas várias boates gays que eu freqüentava).
Ele anda meio fora de forma, até porque vivia em casas
de troca de casais com a Mamãe Noel (que, pelas barbas
do profeta, está inteiraça depois da última
intervenção nos quadris). Conversamos sobre cultura,
entretenimento, economia mundial e sobre as últimas
tendências em posições sexuais.
Bem, sou uma garota bem-humorada (além de outros
dotes, é claro ). Natal, na maior parte das famílias,
é uma reunião de troca de presentes e blábláblá. Não
na minha. Passo quase todos os anos dormindo no Natal,
e por opção, sim, meu bem. Costumo lembrar do
nascimento do homem de Nazaré, de seus diálogos
inteligentes, de suas profecias, de como era lúcido e
claro em tudo que dizia e do quanto as religiões
deturparam uma obra repleta de conhecimento. Fazer o
quê?
A família da minha esposa, Heb, realiza essas festas
cheias de coisinhas minuciosas e afins, eu respeito as
pessoas que promovem esses eventos, mas, também por
opção, eu não participo. É que, na minha opinião,
trocar abraços, demonstração de amor e carinho com a
família e até com o estranho da esquina dever ser um
treinamento diário e não somente na época em que os
sinos, de repente, tocam mais entusiasmados.
Talvez isso seja só uma mania de lésbica que passou um
tempo vivendo sozinha e longe da civilização, aí, já
viu, fica assim, parecendo uma tia anti-social. Mas
como vivemos num país livre e pouco me importa o que
dizem do meu jeito de viver, da minha orientação
sexual, do meu corte de cabelo e do meu rímel com
sombra prateada à luz do dia, acho que está tudo
lindo, está tudo bem. 
Ah, mas não sou tão radical assim, meus anjos. Desejo
um Natal com bastante amor, abundância e gratidão, e
regado de muita, mas muita purpurina (adoro).
E passe adiante esse espírito natalino” (que costuma
vir acompanhado de ações humanitárias e respeito ao
próximo) não só no dia do Natal, mas durante todo o
ano, para as pessoas que amam você.
Agora, para aquelas pessoas que insistem em viver
odiando nossa irmandade, minhas queridinhas, não digam
nada. Cá pra nós, vocês são lindas, gostosas e seguras
o suficiente para não mandar essa gente pra lugar
nenhum. Afinal de contas, tem coisa pior que elas
conviverem consigo mesmas? Acho impossível.
Um Natal lindo para as de bom coração, seja ele
vermelho, rosa, amarelo ou... da cor do arco-íris!
Cassiane Chagas, 28, é
jornalista e radialista
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