Caixa
dos livros, mais à direita a das roupas bem em cima da caixa onde
estão as fotos, as cartas, os poemas, o meu passado. Não, minhas
lindinhas, não são minhas coisas, eu ainda permaneço da “casa
grande” que outrora era minha e dela. Na minha cabeça completamente
“fora do prumo”, imaginava que nosso relacionamento era eterno e que
tínhamos planos juntas e ....blá, blá, blá.
Ok,
meu anjos não rolou, não deu, paciência. Mas cá para nós foi bom
enquanto durou, sem a crise dos 10 anos, sem rasgar fotos. Com uma
discreta lágrima percorrendo olho esquerdo (que péssimo, esse olho
sempre me denuncia) enfim, como diria um grande amigo meu, que uma
vez por semana coloca seu salto agulha e se joga, “I Will Survive”
(veja música e letra abaixo).
Motivo pelo qual estou cá, com minhas botas de couro, calça agarrada
e cabelos ao vento (ok, viajei um pouco nos episódios de Nikita...
adoroo...). Sem mágoas, ressentimentos. Já comi os mais variados
tipos de chocolates, afoguei mágoas em colos que “serão eternos”
para mim.
E
sabe como me sinto agora? Viva. Sim, amores, entendi que não há
acontecimentos específicos para um fim. No meu caso, por exemplo,
ele já existia, estava ali, esperando um “motivo”, pelo qual,
acarretaria no fim oficial. É! Aquele fim Mexicano, com alianças
jogadas na escrivaninha e comparações pífias de “fulana” com
“sicrana”.
Falando assim parece fácil uma separação de um relacionamento de
pouco mais de 4 anos. Fácil é dizer que Zélia Ducan é muito gostosa
(as palavras saem suaves da boca). Foi difícil para “burro”. Mas
percebi que ela e eu já não tínhamos mais identidades próprias e (por mais piegas que seja) não olhávamos para o mesmo caminho.
Assim, com as feridas por cicatrizar, seguimos agora caminhos
diferentes.
Talvez, pelos motivos os quais já não me dizem respeito, eu tenha
superado isso com mais facilidade que ela. Sinceramente! Quero o
sucesso dela, foi uma pessoa muito, extremamente importante para
mim. Aprendi muito com aquela “figura” que fazia brincadeiras de
tudo. É que realmente acabou. Acho que relações são feitas para
isso. Você ama, vive plenamente a cada dia, não imagina a vida sem a
pessoa, se perde, se encontra e quando menos se espera nada mais
existe.
Agora pelo amor das calças de tergal! Desilusões acontecem, fazem
parte do dia-a-dia. Isso não pode trazer conseqüências como “fobias
matrimoniais”. Se apaixonem, se joguem na relação. Não deu? Vale
sofrer, chorar e efetivamente superar. Vale e muito, contrariando
Tião Marmiteiro, dançar homem com homem e
mulher com mulher.
Cassiane Chagas, 28, é
jornalista e radialista
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