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Ah,
que maravilha, você encontrou fi-nal-men-te a sua bem amada muito
amada! Embora sinta um friozinho no estômago toda vez que vai
encontrá-la, o coração palpitante, aquele suadouro nas mãos e os
olhos, ah, os seus olhos brilhando como nunca, você sabe lá no íntimo
que sim, senhora, você ama e é correspondida!
E aí quando você está certa de
que o quase impossível aconteceu, você realmente encontrou a sua
princesa encantada, e lhe telefona com o coração alegre para
convidá-la para ir ao cinema, lá vem uma resposta inesperada: sua
amada declara que não está bem, não é nada, mas não está muito
bem, um pouco de deprê, coisas da vida, sei lá...
Nesse instante a Dona Quixote que
existe em você, ardendo de amor, desprendimento e entrega, se
oferece para fazer-lhe companhia, animá-la, dar um banho de carinho
e terno entusiasmo. Mas a sua bem amada agradece com voz frouxa e
desencantada, que não, muito obrigada, prefere ficar sozinha,
quando passar te telefona. Você desliga confusa, preocupada,
perguntando-se o que é que está acontecendo. Ou talvez desligue
meio triste, para em seguida refletir que todas temos maus momentos,
isso acontece e vai passar.
Mas e se esse comportamento, em
vez de exceção, passa a ser freqüente? Será que a sua amada é
mesmo depressiva, só está passando por um mau
momento?
Como já comentamos em artigos
anteriores, os primeiros encontros são cheios palpitações e muita
adrenalina, pois é a hora do conhecimento mútuo. É a hora de
observarmos, estarmos atentas e lermos o que as atitudes e
comportamentos nos contam.
Com certeza você já ouviu falar
dos analfabetos funcionais, aqueles que embora tenham freqüentado a
escola e assistido às aulas de alfabetização, não aprenderam a
ler, i.e., lêem, mas não são capazes de compreender o que leram,
de alcançar o sentido dos parágrafos à sua frente.
Infelizmente, muitas vezes a
ansiedade de encontrar a mulher amada ou o entusiasmo de termos
encontrado alguém que nos enche a alma e os olhos, nos leva a um
comportamento de analfabetas funcionais. Não conseguimos ler nem
decodificar os sinais de desinteresse ou de complicação que nossa
amada-a-vir-a-ser emite.
Todas temos nossos momentos de
desânimo e, é evidente, que a morte de alguém querido ou outras
perdas são fatos objetivos e reais que levam à tristeza e à
depressão. Mas não são desses momentos de desânimo e tristezas
de que estamos tratando.
Fique atenta quando a pessoa que
você deseja namorar apresenta um quadro de tristeza e desânimo sem
razão objetiva. Procure ler e compreender o que está diante de
seus olhos. Ela pode ser uma pessoa com um quadro clínico de
depressão. Você está preparada para segurar esta barra?
Mas pode ser que o desânimo de
sua bem amada não seja um caso médico, mas sintoma, sinal de algo
mais. Ou pior, algo menos. Menos interesse por você. Ou talvez de
alguém a mais, é dizer, uma pessoa a mais nesta sua relação com
ela. Provavelmente no horizonte de tristeza de sua bem-amada-recém-descoberta
exista um amor complicado, impossível, uma ex-namorada, ou uma
amada distante ou alguém que ela ame e não corresponda, ou que
sim, corresponde, mas já está casada, comprometida e não pretende
deixar o barco. Resultado deste imbróglio são os súbitos momentos
de tristeza e desânimo que nem TPM explica.
Por isso, fique atenta, e procure
saber o porquê das deprês. Vai doer saber a verdade? Claro que
vai. Mas é melhor escolher os caminhos por onde você anda e as
pessoas por quem se interessa antes que você se apaixone de verdade
e sofra.
Como diz a canção: Corazones partidos, yo no los
quiero, si doy el mío, lo doy por entero. (Corações divididos, eu não os
quero/ Se dou o meu, dou por inteiro).
Você merece uma bem amada que
tenha tanto interesse em reencontrar você quanto você a ela. Alguém
que tenha tanto entusiasmo por você quanto você por ela. Por isso,
observe e procure decodificar as mensagens que sua futura amada lhe
envia. Não aceite menos e nem se contente com menos. Você é
especial e não merece ficar com sobras ou ser a segunda opção.
Princesa encantada de verdade é aquela que nos coloca em primeiro
lugar.
Stella C. Ferraz é autora
dos romances lésbicos Preciso te ver, A Vilas das Meninas e
Pássaro Rebelde, publicados pela ed. Brasiliense.
(08/07/05 )
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