Olá
pessoal! Estava eu, como sempre, lendo o site, quando me deparei com
essa noticia (Jornal
de Minas esculhamba lésbicas. Proteste!)
Bom, acreditem
ou não, sou natural de São João del Rei e há um ano e meio me mudei
pra Juiz de Fora com minha companheira para buscarmos uma vida que
lá, em SJDR, nunca poderíamos ter.
Naquela cidade só não há mais preconceitos por falta de espaço. E o
mais curioso é que as meninas da minha idade (entre 20
e poucos anos) optam pelo homossexualismo. Na verdade, 80% é por
modismo ou para mostrarem o que na verdade não são, mas prefiro não
entrar nesse detalhe, pois não é a questão.
Eu e minha companheira fomos as primeiras da nossa idade a assumir
nosso relacionamento, então já imaginam o que houve! Há quatro anos,
me deparei com uma situação completamente diferente na minha
vida. Me envolvi com uma garota. Não uma simples garota, a minha 1ª
garota, a que tomou conta do meu coração. Tínhamos na época 17 anos,
e isso fez com que muita coisa se complicasse. Minha mãe é
professora lá e meu pai era funcionário da faculdade (filha de pais
separados e ainda lésbica?! o mundo caiu). Então logo virou assunto.
Ligações às seis da manha eram rotina na minha casa, onde mães
desesperadas ligavam dizendo que eu e minha companheira estávamos
desencaminhando as garotas. As mães das minhas amigas as proibiam de
andar comigo, achando que eu tinha uma doença contagiosa e logo
todas virariam homossexuais.
Nesses quatro anos, comi literalmente o pão que o diabo amassou se
tratando da minha família... Como se não bastasse, eles não
entenderem, tinha a questão complicadíssima de "como as pessoas vão
olhar pra você?" ou "o que as pessoas vão dizer da criação que eu te
dei?". Só deus e minha menininha sabem o que passei. Nunca cobrei
aceitação dos meus familiares, mas o que sempre reivindiquei foi o
mínimo de respeito. Afinal, sou uma pessoa que só quer amar e ser
amada, assim como qualquer um.
Ouvi muitos
dizendo que estava assumindo para aparecer, ou para chamar atenção
de garotos, a todos diziam que era apenas uma fase. Meus problemas
foram se resolvendo depois que me mudei aqui pra Juiz de Fora...
obviamente COM ELA!!!
No começo foi difícil a convivência, mas depois vimos que o amor
supera tudo, ainda mais na sua forma mais pura e respeitosa. Há nove
meses, assinamos nosso contrato de união estável no Movimento Gay de
Minas Gerais (aqui mesmo na cidade. recebemos uma atenção fenomenal
e tivemos um super apoio de desconhecidos que entendem o quanto
estar ao lado de quem amamos é primordial)... O dia mais feliz da
minha vida, confesso.
Depois disso, tudo que eu mais quero é estar ao lado da minha
esposa pro resto das nossas vidas. Enfrentando os preconceitos com a
certeza que uma sempre terá a outra.
Hoje, a família dela nos vista com freqüência e se tornaram a minha
família também. Eles próprios confessam que se ainda estivéssemos
lá, estaríamos estagnadas no tempo.
Parecia que as pessoas nos odiavam pelo que sentíamos. Eram coisas
absurdas que ouvíamos dos outros sobre uma e a outra... fofocas,
mentiras. Tudo que puderam fazer para nos separar fizeram...
Entraram na dança até as pessoas que diziam ser nossos melhores
amigos.
Sempre que ainda vamos lá visitar nossos familiares, temos problemas
quando saímos na rua. e ainda somos apontadas e discriminadas. Não
entendo como uma cidade onde há tantos homossexuais tenha esse medo
de nos aceitar. E os jovens heteros são muito preconceituosos
também.
Felizmente muita coisa mudou na minha vida... Mudou porque saí de
lá. Hoje minha mãe me aceita, não me discrimina e peita quem quer que
fale de mim. Ela viu que amo de verdade e não tenho medo de assumir
o quanto quero ser feliz.
Quase nos meus
22 anos, eu, Isabella, e minha esposa Isabelle somos donas de uma
loja aqui e enfrentamos o mundo uma pela outra. Lutamos pelos nossos
direitos e não temos medo de assumir que nosso amor é maior que
qualquer coisa. Crescemos, criamos responsabilidades, e nos tornamos
mulheres.
Essa minha
felicidade, agradeço a todos que nos criticaram, pois sem eles não
teria essa vontade de lutar pela mulher que me fez enxergar o que é
amar de verdade.
Só me questiono o quanto um ambiente como o que morava interfere na
vida de um ser humano. Quantas meninas tiveram essa estrutura de
enfrentar a todos e em vez de camuflar um sentimento para não sofrer
ainda mais?
Sei que ainda falta muito pra chegarmos aos direitos iguais, mas
acho que se todos buscassem o amor, muita coisa mudaria nesse
mundo...
Um
enormmmmmeeeee abraço a toda equipe e continuem lutando pelas
mulheres que só buscam ser felizes e criticadas por amarem de
mais!!!!