Seções

Cultura

Direitos

EcoLógica

Em Movimento

Enfoque

Entrevistas

Horóscopo

Lazer & Cia

Saúde & Beleza

Símbolos & Dias

Integração

Enquetes

Links Legais

Sua Opinião

ponto de encontro

colaboração

pesquisas

 
 
 
 
 
Enfoque
 
Fugindo de São João del Rey para viver um grande amor  
Isabella Souza
 

Olá pessoal! Estava eu, como sempre, lendo o site, quando me deparei com essa noticia (Jornal de Minas esculhamba lésbicas. Proteste!)

Bom, acreditem ou não, sou natural de São João del Rei e há um ano e meio me mudei pra Juiz de Fora com minha companheira para buscarmos uma vida que lá, em SJDR, nunca poderíamos ter.

Naquela cidade só não há mais preconceitos por falta de espaço. E o mais curioso é que as meninas da minha idade (entre 20 e poucos anos) optam pelo homossexualismo. Na verdade, 80% é por modismo ou para mostrarem o que na verdade não são, mas prefiro não entrar nesse detalhe, pois não é a questão.

Eu e minha companheira fomos as primeiras da nossa idade a assumir nosso relacionamento, então já imaginam o que houve! Há quatro anos, me deparei com uma situação completamente diferente na minha vida. Me envolvi com uma garota. Não uma simples garota, a minha 1ª garota, a que tomou conta do meu coração. Tínhamos na época 17 anos, e isso fez com que muita coisa se complicasse. Minha mãe é professora lá e meu pai era funcionário da faculdade (filha de pais separados e ainda lésbica?! o mundo caiu). Então logo virou assunto. Ligações às seis da manha eram rotina na minha casa, onde mães desesperadas ligavam dizendo que eu e minha companheira estávamos desencaminhando as garotas. As mães das minhas amigas as proibiam de andar comigo, achando que eu tinha uma doença contagiosa e logo todas virariam homossexuais.

Nesses quatro anos, comi literalmente o pão que o diabo amassou se tratando da minha família... Como se não bastasse, eles não entenderem, tinha a questão complicadíssima de "como as pessoas vão olhar pra você?" ou "o que as pessoas vão dizer da criação que eu te dei?". Só deus e minha menininha sabem o que passei. Nunca cobrei aceitação dos meus familiares, mas o que sempre reivindiquei foi o mínimo de respeito. Afinal, sou uma pessoa que só quer amar e ser amada, assim como qualquer um.

Ouvi muitos dizendo que estava assumindo para aparecer, ou para chamar atenção de garotos, a todos diziam que era apenas uma fase. Meus problemas foram se resolvendo depois que me mudei aqui pra Juiz de Fora... obviamente COM ELA!!!

No começo foi difícil a convivência, mas depois vimos que o amor supera tudo, ainda mais na sua forma mais pura e respeitosa. Há nove meses, assinamos nosso contrato de união estável no Movimento Gay de Minas Gerais (aqui mesmo na cidade. recebemos uma atenção fenomenal e tivemos um super apoio de desconhecidos que entendem o quanto estar ao lado de quem amamos é primordial)...  O dia mais feliz da minha vida, confesso.

Depois disso, tudo que eu mais quero  é estar ao lado da minha esposa pro resto das nossas vidas. Enfrentando os preconceitos com a certeza que uma sempre terá a outra.

Hoje, a família dela nos vista com freqüência e se tornaram a minha família também. Eles próprios confessam que se ainda estivéssemos lá, estaríamos estagnadas no tempo.

Parecia que as pessoas nos odiavam pelo que sentíamos. Eram coisas absurdas que ouvíamos dos outros sobre uma e a outra... fofocas, mentiras. Tudo que puderam fazer para nos separar fizeram... Entraram na dança até as pessoas que diziam ser nossos melhores amigos.

Sempre que ainda vamos lá visitar nossos familiares, temos problemas quando saímos na rua. e ainda somos apontadas e discriminadas. Não entendo como uma cidade onde há tantos homossexuais tenha esse medo de nos aceitar. E os jovens heteros são muito preconceituosos também.

Felizmente muita coisa mudou na minha vida... Mudou porque saí de lá. Hoje minha mãe me aceita, não me discrimina e peita quem quer que fale de mim. Ela viu que amo de verdade e não tenho medo de assumir o quanto quero ser feliz.

Quase nos meus 22 anos, eu, Isabella, e minha esposa Isabelle somos donas de uma loja aqui e enfrentamos o mundo uma pela outra. Lutamos pelos nossos direitos e não temos medo de assumir que nosso amor é maior que qualquer coisa. Crescemos, criamos responsabilidades, e nos tornamos mulheres.

Essa minha felicidade, agradeço a todos que nos criticaram, pois sem eles não teria essa vontade de lutar pela mulher que me fez enxergar o que é amar de verdade.

Só me questiono o quanto um ambiente como o que morava interfere na vida de um ser humano. Quantas meninas tiveram essa estrutura de enfrentar a todos e em vez de camuflar um sentimento para não sofrer ainda mais?

Sei que ainda falta muito pra chegarmos aos direitos iguais, mas acho que se todos buscassem o amor, muita coisa mudaria nesse mundo...

Um enormmmmmeeeee abraço a toda equipe e continuem lutando pelas mulheres que só buscam ser felizes e criticadas por amarem de mais!!!!

 

Enfoque Índice

Comentários
Nome:
E-mail:
telefone:
Cidade:
Estado:
País do exterior

Deixe seu comentário sobre o artigo acima

 
 

Comentários

Um Outro Olhar On-line © 2004-2008 Rede de Informação Um Outro Olhar
Todos os direitos reservados.