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Caminhada Lésbica se consagra ao enfrentar chuva e frio  
Miriam Martinho 
 

Organizada pelos grupos Umas e Outras e Movimento Lésbico de Campinas, a II Caminhada de Lésbicas e Simpatizantes de São Paulo passou na prova de fogo do tempo inclemente que se abateu sobre a cidade na tarde de sábado, dia 12/06/04. Melhor dizendo passou na prova de água, na forma de chuva intermitente e frio considerável que acompanhou o passeio lésbico do vão do MASP, na avenida Paulista, até a alameda Itu, onde um palco marcava o fim dos passos e o começo dos shows.

            Guiada por um pequeno trio elétrico, seguido de 3 sapatas a cavalo, um abre-alas de mulheres caracterizadas como amazonas (só faltou o barrete) e cerca de 500 pessoas (na opinião geral), a maioria mulheres e alguns (felizmente) discretos e solidários gays, a caminhada seguiu a passos rápidos para seu destino, contrastando o sorriso nos rostos das participantes com o cenário cinzento e nebuloso da avenida.

            Como nada é perfeito, houve pequenas notas destoantes do tom maior do evento. Primeiro, o uso dos cavalos na caminhada.Claro que os bichos não foram maltratados e que se quis evocar, ao utilizá-los, as ancestrais míticas da lesbianidade, as amazonas, mas animais não devem ser usados em eventos humanos. Entre as questões emergentes das próximas décadas, estão os direitos da Natureza e sobretudo dos animais. Como diz um adesivo ambientalista: bicho não é brinquedo, tem frio, tem fome, tem medo. Podem perfeitamente ser substituídos pelas montarias das modernas amazonas de todo o mundo: as bicicletas e as motos.

            Segundo, anunciou-se uma festa em solidariedade a Cuba (sic) quando ainda se estava no vão do MASP. É o caso de perguntar:por que mulheres homossexuais seriam solidárias a um regime que sempre perseguiu, prendeu e exilou homossexuais (incluindo alguns dos mais eminentes escritores hispano-americanos) e trata até hoje os divergentes na base do paredón? Podíamos ter passado sem essa.

            Terceiro, podíamos ter passado também sem a “avaliação” do número de participantes da caminhada em duas mil, anunciada por uma das porta-vozes da organização do evento já no palco da Alameda Itu. A declaração provocou riso generalizado na platéia porque nem na base de todas as biritas que se tomou, para suportar o frio e a chuva, daria para ver 3 vezes mais mulheres do que de fato houve.

            E a caminhada não precisava disso. Consagrou-se qualitativamente pelo pique das participantes em enfrentar um São Pedro lesbofóbico, com evidente alegria nos rostos e nos corações. Prova incontestável – esta sim – de orgulho e visibilidade das lésbicas tupiniquins, foi forte e bonita e deverá crescer com o passar dos anos também em termos quantitativos. Estão de parabéns as organizadoras, as participantes e as artistas (Dominatrix, Laura Finocchiaro) que findaram a festa.         

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