Seções

Cultura

Direitos

EcoLógica

Em Movimento

Enfoque

Entrevistas

Horóscopo

Lazer & Cia

Saúde & Beleza

Símbolos & Dias

Integração

Enquetes

Links Legais

Sua Opinião

ponto de encontro

colaboração

pesquisas

 

 
 
 
Cultura
 
Herdeiras de Safo: Fazendo Poesia
 



Os versos lésbicos de Manuela Amaral (1934-1995)

Manuela Amaral é uma poetisa portuguesa contemporânea cuja obra é marcada pela temática do amor entre mulheres. Sabemos pouco sobre ela e convidamos quem tem mais referências biográficas dessa autora a enviá-las para publicação. De uma coisa sabemos, contudo, de antemão. Suas poesias são eróticas e belas  Confira abaixo.

foto: Antonio Louro


MODELAGEM

Moldei meu corpo
à tua forma nua
e de nós duas
nasceram madrugadas
 

AMOR GEOMÉTRICO
Angulosamente ternas
goticamente nuas
somos a geometria do amor.
 

TERRA VIRGEM
Terra virgem onde desbravei caminhos
Terra aberta onde lancei sementes
Terra incendiada
Vulcão
Cratera
Terra-de-hoje
Símbolo de outras eras
Terra de ninguém que me pertence.


APOGEU

Mulher em minha cama
Mulher quase animal
Mulher que se transborda
que me sobra
e chega
Mulher deitada no meu corpo insónia.


MULHER
DE MIM
Mulher secreta
direita ao meu encontro
Meu espasmo de infinito
Meu canto
quase grito
Mulher só-minha
inventada em espanto


PARA ALÉM DO AMOR

E muito mais importante do que o nosso orgasmo
é a ternura-depois
o ficarmos abraçadas
o não dizermos nada
o tomarmos um uísque
às cinco da manhã.


ACTO CRIADOR
 
Com gestos pagãos
dou forma-mulher
à tua estatura
e faço escultura
ao longo das mãos
Num golpe de mestre
renasço-te virgem
em obra criada
Já não és mulher
És só o fluido
que escorre de mim
idéia
vertigem
Depois uma fúria qualquer
começa a alastrar-se
em todo o teu corpo
Um vento selvagem
possui os teus braços
as pernas
o ventre
Um grito demente
percorre-te a voz
E és volúpia
o espaço
e a noite


POEMA VERTICAL

Abrimos os corpos. Rasgámos silêncios.
Na mesma vertigem nós fomos o espaço
Nós fomos a sede
Nós fomos a fonte
Abrimos distâncias. E tudo inventámos.
A vida e a morte num gesto de febre
subiam em compasso
em tempo de espera
E a luta
E a raiva
Nas nossa artérias um sangue mais quente
e o teu movimento em ritmo louco
E a minha renuncia de não ser mais eu.
De ser o teu corpo. De ser a tua carne
Baloiço de membros
de pernas e braços
Mulher que eu embalo
que guardo em meu ventre
que bebe de mim
a quem eu me dou
de quem me alimento
Mulher incarnada
na minha loucura
Um grito. Uma pausa. Um gesto mais lento.
E a vida a esvair-se
num estertor da morte
Depois o cansaço no espasmo da noite
E nós renascidas
E livres no tempo.


AUTO DE FÉ 

Não me arrependo dos amores que tive
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei
Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa
a verdadeira mulher - sem rival
Amei tantas mulheres de quem nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos
E no amor que dei
e no amor que tive
eu fui toda mulher - fui vertical.
Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário
Só tenho um itinerário Amor-Mulher

 

Cultura Índice

Comentários
Nome:
E-mail:
telefone:
Cidade:
Estado:
País do exterior

Deixe seu comentário sobre o artigo acima

 
 

Comentários

Um Outro Olhar On-line © 2004-2008 Rede de Informação Um Outro Olhar
Todos os direitos reservados.