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Helena
é do tipo popular, expansiva e falante entre as meninas, sempre
convidada para as festinhas e comemorações de diversos grupinhos
da cidade, e não seria diferente em mais essa reunião. Chegou
animada e, abraçando a todos os presentes, foi cumprimentando um a
um.
Foi apresentada a Luisa, cabelos e olhos castanhos, um olhar
misterioso e firme, e que deixou Helena meio desconcertada com a
cordialidade mas quase frieza com que foi cumprimentada por ela.
Tentou puxar papo, mas obteve apenas respostas curtas, embora
suaves. E a sensação de que aquele olhar a vigiava durante toda a
festa.
Final de noite, restavam apenas as amigas mais conhecidas e
chegava a melhor hora para se falar das que lá estiveram, das que
não foram, dos romances começados e terminados, das preferências e
estilos de se vestir. Luisa, convidada da dona da casa, observava
tudo e continuava falando pouco. Até que alguém entrou no assunto
ativa/passiva, apostando como seria uma gata que já tinha deixado
a festa. Daí para se falar em posições na cama, foi um pulo. Em
pouco tempo, estavam todas sentadas no chão, em círculo, num jogo
de verdades e mentiras que foi ficando cada vez mais ousado e
picante.
“Eu gosto de apanhar na cama”, disse uma delas,
com as bochechas vermelhas não só pela bebida mas pela confissão
que acabara de fazer. “Ah, nem pensar... se encostarem em mim,
perco todo o tesão!”, foi a resposta seguinte, e depois vieram
opiniões sobre pingos de vela, vendas e algemas na cabeceira da
cama. Luisa continuava apenas ouvindo, observando e sorrindo
suavemente. Um desses sorrisos suaves esbarrou novamente em
Helena, que, apesar de sua expansividade natural, parecia se
encolher cada vez que os olhares das duas se encontravam. Como que
para se defender do olhar que a invadia, Helena respondeu
rapidamente: “Pois tudo o que eu queria era ser escrava de
alguém... ter uma dona que me usasse como objeto sexual, me
virasse do avesso, a quem eu serviria com devoção e amor...”. “Ah,
Lena... tá falando sério?!”
Sim, ela falava sério, e Luisa percebeu a seriedade do comentário,
acenando para ela com uma piscada leve e mais demorada que o
normal.
Quase quatro da manhã, um casal se levantou para ir embora, outras
duas meninas aproveitaram a oportunidade para também sair, e Luísa
também achou que era hora de ir embora. Helena aproveitou a saída
em grupo para pedir uma carona. “Eu te lev o”,
foi a resposta de Luisa, “sem problema, é o meu caminho.”
A festa tinha sido num condomínio afastado, muitas chácaras em
volta, movimento quase nenhum na região. Helena e Luisa foram
conversando amenidades, falaram da noite clara e de como era uma
época de clima agradável. Antes de pegar a rua principal, Luisa
parou no acostamento, saiu do carro e disse a Helena: “Desça do
carro”. A ordem foi acompanhada por um olhar misterioso e seguida
de um “Agora!”. Helena desceu do carro um pouco atordoada e até
com medo. “Venha aqui, curve-se e coloque as mãos espalmadas sobre
o capô.” Helena permaneceu parada, queria rir de nervoso, estava
confusa... “Luisa, está tarde... vamos embora.” Silêncio. O olhar
que Helena recebeu parecia de pedra. “Eu vou mandar só mais uma
vez: curve-se e coloque as mãos sobre o capô!”, ordenou Luisa.
Ainda sem saber bem o que estava acontecendo, Helena se viu
vendada. “Então, a cadelinha gosta de servir, não é?”, Luisa
sussurrou nos ouvidos dela e um calor percorreu o corpo de Helena.
“Todas as vezes que eu disser “Posição!”, você vai tirar a roupa e
deixar sua bunda à mostra, certo, cadelinha?” Helena tremia, não
era mais o medo, não era frio, mas a realização de uma fantasia
que ela nunca pensou viver de verdade. “Sim senhora, Senhora.” A
resposta era a senha para que o jogo começasse consensualmente.
Luisa colocou as mãos de Helena para trás e algemou-as. A
respiração de Helena deixava o capô embaçado, o reflexo no carro
prata dava a impressão de que a lua tinha se aproximado para ver
melhor o que estava para acontecer, suas pernas abertas faziam com
que o sereno tocasse sua boceta e aumentasse o calor que sentia, o
tesão dava a ela a sensação de um transe que se iniciava. “A
cadelinha sabe contar?” A voz grave de Luisa fez com que Helena
tremesse: “Sim senhora, Senhora”. O que veio em seguida foi um
estalo na bunda de Helena, seguido de uma dor aguda, provocada
pelo chicote. Nem bem percebeu o que tinha acontecido, o segundo e
o terceiro estalos vieram sem dó, a dor aumentava e, com ela, a
onda de calor. Helena sentiu-se molhada, tentou se mexer,
lembrou-se das algemas... gemeu baixinho.
Helena parou de contar depois de 50 chicotadas, não se agüentava
mais, um misto de dor e prazer. “Só existe uma forma de tratar
cadelas vagabundas como você!”, a voz de Luisa fazia eco na cabeça
de Helena, que naquele momento faria qualquer coisa, absolutamente
tudo, que a mulher dominadora lhe mandasse. “Quero ver você gozar
na minha mão, como a cadela no cio que você é!” Os dedos de Luisa
exploravam as entranhas de Helena, que se contorcia e gemia, sem
poder controlar o tesão que tomava seu corpo, até que ela gozou,
deixando a mão de Luisa vergonhosamente molhada.
Helena
mal conseguia respirar, suas pernas tremiam. Olhou para o lado e
lá estava aquela mulher de olhar escuro e penetrante, que a
observava sorrindo de forma maliciosamente discreta. Helena queria
desmaiar de vergonha, prazer, dor e perplexidade. Tinha se
entregue a uma quase desconhecida, como uma cadela de rua, sem
raça, gemendo a cada estalar do chicote em sua pele. E, quanto
mais tinha vontade de desaparecer da face da terra, mais se via
analisada pela outra, que continuava parada, olhando a
cadela-mulher-objeto que tinha acabado de usar.
Luisa tirou as algemas de Helena, enfiou mais uma vez a mão entre
suas pernas, apenas para constatar, mais uma vez, o estado em que
a outra ficara... completamente entregue. “Boa cadelinha...
Vista-se, vamos embora.” Disse isso, entrou no carro e ficou
assistindo uma Helena desconcertada vestir a roupa e depois
sentar-se ao seu lado.
“De hoje em diante, você tem dona. Irá se referir a mim como
Senhora, sua Senhora, e irá me escrever um relatório diário
contando suas experiências, vontades, tarefas cotidianas e o que
mais lhe passar pela cabeça. Vai ser minha escrava e a mim
prestará total obediência e devoção. Alguma dúvida, cadela?” A
resposta de Helena foi quase inaudível: “Não senhora, Senhora”.
Naquela madrugada Helena sentiu uma alegria incontida. Dormiu
apenas uma hora, foi trabalhar em seguida, mas o cansaço
desapareceu por completo, sendo substituído por uma euforia e
leveza que ela jamais sentira.
Agora ela tinha dona.
(continua...)
* Baseado em fatos reais, nomes fictícios, e em escrito de L.E.
Outubro – 2007

Entre
as várias coisas que Luisa exigiu de Helena para permitir que ela
vivenciasse o sadomasoquismo, o relatório diário era uma das mais
importantes. Para descobrir a cadela submissa que existe em uma
mulher, é preciso fazer brotar nela o desejo da entrega, da
servidão e devoção através do fetiche, da realização de suas
fantasias e da sensação de ser realmente dominada. Nesse processo,
o relatório diário é como o pagamento de uma alma hipotecada... a
cada dia, cada vez mais, um pouquinho mais de entrega.
Assim, na noite do dia seguinte Luisa recebeu o primeiro relatório
de Helena. E, sem que Helena soubesse, seu processo de escravidão
tinha se iniciado... Diariamente ela deveria descrever seu dia,
com todos os detalhes, para aquela que a dominava e que detinha
poderes sobre sua vida. Uma vida mais feliz agora, pois havia
descoberto a cadela vadia e no cio que poderia ser nas mãos fortes
de sua Dona.
E seu primeiro relatório, mandado por e-mail, dizia:
Boa noite, Senhora, para iniciar meu relatório retorno à noite de
terça-feira, momento em que a curiosidade e a empolgação tomaram
conta de mim, porém o tesão e a vontade de ser sua submissa foram
muito superiores a qualquer sentimento de curiosidade.
Quando me percebi numa onda de tesão, calor e desejo, reconheci
algo que sempre havia procurado e que finalmente encontrei, uma
satisfação pessoal e sexual intensa, que me trouxe equilíbrio e
paz no dia seguinte. Aliás, o dia seguinte foi o melhor da minha
semana. Apesar de ter ido dormir às quatro da manhã e acordado às
seis, minha disposição e vontade de fazer as coisas acontecerem
foram impressionantes, uma alegria imensa tomou conta de mim, uma
vontade de correr, de abraçar todo mundo, de cumprimentar, e essa
alegria me lembrou uma espécie de droga, daquela que nos deixa bem
relaxada e felizzzz, muito feliz. Pensei em vários momentos
vividos naquela noite e a cada pensamento meu tesão voltava e me
inquietava, eu pensava no escuro, nas algemas que me envolveram e
sobretudo no chicote... Ah! que momento mágico e especial esse...
Único, com certeza único. Minha quarta-feira seguinte foi incrível
e mal posso esperar para repetir, porque tenho certeza de que cada
momento desses será único e absorvido por mim de forma intensa.
No trabalho, vez ou outra vinha-me um
tesão
louco quando eu me lembrava de mim algemada no capô de um carro
naquela escuridão, eu pensava em apanhar novamente e percebi que
estava sentido falta daquele momento!
Então, a Senhora me ligou no meio da tarde e me ordenou que eu
fizesse exercícios de contração e relaxamento do períneo enquanto
ainda estava no trabalho, com tarefas a realizar, sem poder deixar
transparecer o que eu fazia no meu íntimo, o tesão ia me
consumindo aos poucos, consumindo minha concentração e aumentando
a vontade de sair correndo para servi-la. Fiz a seqüência do
exercício, mas confesso que fiquei muito excitada e extremamente
molhada, e só não gozei por estar proibida, mas fiquei muito
próxima disso.
Ser sua submissa é para mim um privilégio, devo-lhe desde já
obediência e submissão, preparo-me para o momento de ser usada
como seu objeto, aquele que só manifesta a vontade de satisfazê-la
e sabe que não tem mais vontades, Senhora, pois as minhas vontades
são inteiramente suas.
Enfim, foi um dia de tesão, de vontades que não me pertenciam, mas
penso constantemente em ser humilhada e estar submissa aos seus
desejos. Não almejo liberdade, almejo ser sua escrava e estar
diante de ti como tal, para seu deleite, sem desejos ou vontades,
apenas como objeto de uso da sua satisfação.
E é de joelhos diante de vós, Senhora Dona de mim, que peço
humildemente para portar vossa coleira, servir-lhe sempre com
devoção e disciplina, sentir seu chicote em minha pele e Sua mão a
me dominar.
Assim, encerro aqui meu primeiro relatório. Perdão, Dona de mim,
pelos erros... peço-lhe paciência com a cadela bebê que ainda sou,
mas que, embora nova no mundo SM, deseja ardentemente ser Sua,
mantendo-se sempre molhada de tesão, pronta para ser usada e
abusada por vós.
Ajoelho-me a seus pés e agradeço, Senhora.
Luisa sorriu.
Desde o início Helena mostrara-se uma submissa com grande
potencial e desejo de escravidão, e seu primeiro relatório
confirmava isso.
Ao terminar de ler, Luisa enviou uma mensagem para o celular de
Helena:
“Amanhã, às 21h, na sua casa, vou usar a cadela que me pertence”.
(continua...)
· Baseado em fatos reais, nomes fictícios, e em escrito de
L.E. Dezembro – 2007

A saga de helena continua...
No dia seguinte, às nove da noite, pontualmente, Luisa chegou à
casa de Helena. Tocou o interfone e, ao subir, encontrou a porta
aberta. A sala estava lindamente decorada com pétalas de rosa
vermelha espalhadas pelo chão e pela mesa, onde várias velas
coloridas e de formatos diferentes estavam acesas, formando um
ambiente extremamente convidativo a uma verdadeira sessão
sadomasoquista. A música no estilo medieval misturava-se aos
vários incensos acesos pela casa. Luisa gostou do que viu, fechou
a porta e sentou-se no sofá. Então Helena entrou na sala, de
quatro, como compete a uma cadelinha determinada a agradar sua
dona. Trazia na boca um chicote, aproximou-se dos pés de Luisa,
soltou o chicote e beijou suas botas demoradamente, mostrando toda
sua submissão.
“Permissão para olhá-la nos olhos, Senhora da minha vida?”,
perguntou uma Helena de voz trêmula, ao mesmo tempo que sentia
correr pelo corpo ondas do tesão que começa va
a consumi-la..
“Que cadelinha boazinha, preparou tudo tão bem... Sim, você pode
me olhar nos olhos”, disse Luisa com voz firme e cadenciada, a
mesma voz que havia feito Helena tremer naquela madrugada, quando
tudo começou.
“Senhora, Dona de mim, eu lhe peço, lhe imploro: faça de mim a
submissa mais feliz do mundo, dê-me o direito de portar sua
coleira, Senhora.”
“Helena, cadelinha boazinha, uma coleira com as minhas iniciais é
algo de muito valor... Você terá que se mostrar digna e merecedora
dela, terá de me servir no amor e na dor, para meu prazer e
deleite.”
“Tudo, Senhora da minha vida. Farei tudo o que puder para merecer
sua coleira.”
Ouvindo isso, Luisa levantou-se e pegou o chicote que Helena havia
deixado a seus pés: “Posição, cadela!”.
Helena virou-se para o outro lado, deixando a bunda exposta para
sua Senhora. As chicotadas foram vigorosas, uma, duas, dez, vinte,
trinta, cinqüenta... Helena se perdeu no calor que lhe cobria as
nádegas, o tesão tomou seu corpo por completo, não sentia a mesma
dor de todas as vezes que havia se machucado na vida ou que havia
apanhado da mãe. Era uma dor seguida de um prazer indescritível.
Sentiu-se ficar molhada, vergonhosamente molhada. Teve vergonha e
imaginou-se como uma cadela de rua, uma puta barata. Mas uma puta
feliz por ter tido a coragem de realizar sua fantasia... sim!
Ela sempre havia desejado ser submissa de uma mulher poderosa,
linda e sensual como Luisa. Se deu conta de que a vida inteira
havia sonhado com isso, sem sequer saber que essa possibilidade
existia. E agora ela estava ali, de quatro, exposta, escorrendo de
tesão, com a bunda toda marcada, vivendo o mais secreto de todos
os seus fetiches.
“Senhora, eu lhe imploro, use esta cadela que é sua para o seu
total prazer. Faça de mim o que tiver vontade, Dona de mim...”
Helena falou num sussurro, as lágrimas brotaram-lhe dos olhos, o
tesão a consumia por inteira, ela tremia. Abriu as pernas o mais
que pôde, deixou-se exposta, escorrendo de vontade de dar como uma
cadela vagabunda, seu sexo latejava, ansiando pelo momento em que
sua Dominadora a usasse.
Luisa levantou Helena
pelos cabelos: “Cadela, sua Dona tem sede”. E imediatamente foi
servida de um tinto carmenère, seu preferido. Entrelaçou
novamente os dedos nos cabelos de Helena, puxou sua cabeça
delicadamente para bem perto, deu-lhe de beber de sua boca,
vagarosamente, e ali ficou. Deu em Helena um beijo que ela nunca
havia recebido de namorada nenhuma, um beijo quente, vigoroso.
Helena tremia, com os cabelos presos na mão daquela mulher
estonteante. Sentiu as pernas falharem, pensou que cairia ali
mesmo, imobilizada pelo tesão e pela vontade de ser penetrada,
usada e abusada. Os pensamentos se embaralhavam em sua cabeça, não
conseguia pensar... aquela mulher poderosa, aquele beijo quente,
suave e brusco.
Luisa colocou o rosto de Helena contra a parede e penetrou-a. Sem
uma palavra, sem nenhum aviso, soltou seus cabelos e apertou seus
mamilos. Helena tinha certeza que ia desmaiar de tesão. Ela
tremia, gemia, implorava para que sua Dona fizesse dela uma cadela
vadia, que a usasse até não ter mais forças. Sentiu mordidas nas
costas, tapas na bunda e, quando se deu conta, havia gozado.
Helena não sabia mais onde estava, suas pernas se dobraram e ela
se deixou cair aos pés daquela que havia feito com que ela
sentisse o indescritível. Ficou ali arfando, gemendo, tremendo,
escorrendo. Nunca na vida havia sentido algo igual. Uma onda de
amor e devoção tomou conta de seu corpo e de seu coração, e ali
teve certeza de que amaria por muito tempo a mulher que lhe
dominava daquela forma os sentidos.
Luisa voltou a se sentar no sofá e tirou vagarosamente a blusa,
revelando seios perfeitos, com mamilos duros de tesão. Realmente,
aquela cadela valia a pena, ela pensou, e merecia servir sua Dona.
“Cadela, sirva-me com amor e devoção!” Era uma ordem, e diante
daquela voz grave Helena tremeu e o calor subiu-lhe pelo corpo
novamente. Beijou os seios de sua Senhora respeitosamente e
começou a chupá-los. Lambia e beijava com desejo os seios daquela
mulher linda, enquanto Luisa lhe apertava os mamilos, fazendo-a
desejar ser seu objeto sexual.
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Luisa tirou a calça, agarrou sua escrava pelos cabelos e levou a
boca de Helena até sua boceta quente e molhada, segurando-a
fortemente contra si. Helena estava no céu, molhara-se outra vez.
O tesão escorria-lhe pelas pernas. Meu Deus, o que é isso?!,
pensou uma Helena entregue e trêmula, sentindo o gosto suave que
lhe despertava os instintos mais devassos. Teve vontade de possuir
aquela mulher, mas sabia de sua condição de escrava; só poderia
penetrar sua Dona se Ela assim o permitisse. Parecendo ler seus
pensamentos, Luisa pegou dois dedos de Helena e guiou-os até sua
fenda latejante. Helena penetrou, explorou fundo e devagar o sexo
daquela por quem estava sentindo algo novo e avassalador. O cheiro
entorpecia seus pensamentos, ela já não pensava... Sentia dor nos
mamilos fortemente pressionados, mas a dor lhe trazia novas ondas
de prazer e tesão. Luisa enfiou os dedos em sua cadela, beijou-a
ardentemente e ordenou:
“Goza pra mim, vadia!”
Helena gozou sem nem sentir a proximidade do gozo. Enlouqueceu. A
sensação de ter o corpo obedecendo às ordens daquela mulher e
desobedecendo a seus próprios pensamentos e vontades, passando por
cima da alma que há trinta e sete anos habitava aquelas carnes,
fez com que ela sentisse uma explosão interna. Gritou e gemeu nas
mãos de quem tanto poder tinha sobre ela. Luisa também gozou junto
com ela. Ficaram ali, imóveis, sentindo uma à outra, respirando o
cheiro de sexo e percebendo as contrações se esvaírem aos poucos.
Um momento indescritível... palavras não se faziam necessárias.
Luisa levantou-se calmamente, vestiu-se e bateu o pé no chão, um
sinal claro de que Helena deveria beijar-lhe as botas.
“Neste final de semana, iremos para a minha chácara com o grupo de
praticantes SM. Prepare-se, cadelinha boazinha.”
Disse isso e saiu, deixando no chão uma Helena atônita, entregue,
trêmula e com o gozo a lhe escorrer pelas pernas. Naquele momento,
ela teve certeza: não importava o que fosse acontecer dali para a
frente, nunca mais na vida iria querer ter um relacionamento
baunilha.
(continua...) Fatos verídicos e nomes fictícios. Domme
Endora

No sábado seguinte, o grupo de praticantes de SM se encontrou no
estacionamento de um supermercado com destino à chácara de Luisa.
A proposta era a de um final de semana voltado à prática, de
maneira descontraída e animada e, principalmente, sem que Helena
soubesse, seria o ritual de seu encoleiramento.
O dia
transcorreu de forma tranqüila, todos estavam bem à vontade, já na
expectativa do que estava por vir à noite, quando a fogueira fosse
acesa, e Helena trancada em um quarto por sua madrinha pouco antes
de receber ritualisticamente a coleira de Luisa.
E,
assim foi. Pandora, madrinha de Helena, anunciou o que estava por
vir tão logo ela saíra do banho. Helena sentiu o chão sumir-lhe
debaixo dos pés: gaguejou, pensou em desmaiar, sempre esperou por
aquele momento e, de repente, teve vontade de sair correndo.
Entrou em pânico, teve certeza de que não conseguiria passar por
tal prova e, sem lhe dar muita chance de pensar, Pandora ordenou a
Helena que escrevesse seus votos, votos que seriam lidos durante o
ritual e que, daquele dia em diante, seriam sempre repetidos pela
escrava a cada início de sessão com Luisa.
Helena foi
levada ao círculo de praticantes por Pandora que, tão escrava
quanto ela, ia de quatro, nua, seguida pela inicianda trêmula,
excitada e tremendamente amedrontada com o que via à sua frente:
uma fogueira elevava-se acima dos três metros de altura,
crepitando e revelando sombras assustadoras dos que estavam em
volta do círculo e, no meio dele, Luisa vestida de negro, uma
máscara dourada e um chicote na mão. Tudo se passou como um flash,
nunca mais Helena conseguiria se lembrar com detalhes a seqüência
de fatos daquela noite.
E algo mais aconteceu. Como que despertando de um sonho, Helena
sentiu frio, muito frio. Ouvia tudo muito ao longe, sentia-se
tonta, via as pessoas como numa outra dimensão. Não tinha certeza
do que estava por vir, mas sentiu que não pertencia àquele lugar,
nada daquilo era pra ela. Via Luisa como aquela que a dominara
completamente, aquela que poderia ser a Dona de todos os seus
desejos e pensamentos e a quem serviria com devoção, mas, ao
pensar nisso, sentiu que não daria conta, que não era merecedora
de tudo o que uma coleira de Luisa poderia significar. Então
Helena abaixou a cabeça e começou a chorar. Tremia de frio, medo e
vergonha por ter que admitir que não seguiria em frente. Deu
alguns passos adiante, ainda de quatro, e pousou a testa sobre a
bota de Luisa.
- Perdão, minha Senhora, mas agora compreendo que jamais seria
capaz de viver a plenitude do SM ao seu lado, jamais seria capaz
de honrá-la como minha Dona absoluta, e refrear meus desejos,
intenções, ciúmes e vontades sem ultrapassar meus limites de
escrava. Agora, e tão somente agora, sinto o quanto portar sua
coleira seria importante pra mim e o quanto eu não saberia
corresponder à responsabilidade com obediência e devoção.
Portanto, Dona de mim, eu lhe peço, deixai esta cadela desistir de
seus sonhos.
silêncio...
Todos ali presentes prenderam a respiração. Sabiam que uma vez
pronunciadas as palavras que Helena acabara de verbalizar, não
haveria mais caminho de volta.
Luisa deu um passo pra trás, afastando-se de Helena, mandou que a
retirassem do círculo, vestissem-na e a levassem de volta pra
cidade. Não havia mais nada a ser feito ali, e Luisa sabia que
nunca mais Helena teria aquela oportunidade novamente, nunca mais
sentiria o estalar de seu chicote, sua mão firme a lhe usar ou seu
olhar a lhe dominar os pensamentos.
Meses se passaram com uma Helena completamente arrependida de
sua decisão. As lembranças dos momentos vividos sob o comando de
Luisa eram as únicas coisas que possibilitavam à Helena sobreviver
à sua rotina, agora sem a prática SM que tanto lhe ensinara sobre
seus desejos, seu corpo, sua vontade de servir e ser uma cadela à
disposição de uma Senhora. E sabia: nunca mais encontraria uma
Dominadora que reunisse tudo o que Luisa tinha em si e o que nela
despertava, mas havia feito uma escolha e agora precisava lidar
com ela.
Helena buscou conhecer outras pessoas, outras dominadoras e
submissas, e o desligamento de Luisa tornou-se um processo longo e
demorado. Tantas outras novas experiências surgiram e a cada uma
delas Helena se entregava pensando na única Donna que tivera em
sua vida, que lhe controlara o corpo apenas com o olhar e, assim,
passaram-se os anos, e as lembranças perderam-se nas esquinas da
saudade.
FIM.
( Nasce uma escrava é um conto inspirado em fatos reais)
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