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Foi
num início de agosto, há alguns anos, que conheci a mulher da minha
vida.
Eu trabalhava
em uma multinacional quando conheci Janaína, uma mulher muito
vistosa e sorridente, secretária-executiva de uma empresa que
participava de um congresso em São Paulo do qual eu também
participava. Logo de cara notei aquele belo exemplar de
feminilidade, Janaína tinha um porte muito elegante, se vestia
com muito bom gosto. Nós nos entendemos bem desde o início e, já que
estávamos hospedadas no mesmo hotel e participávamos do mesmo grupo
de trabalho, à noite sempre íamos conversar e relaxar um pouco no
barzinho do hotel.
Falávamos
sobre muitas coisas e logo fomos percebendo que tínhamos gostos
parecidos e muitas coisas em comum. Numa noite, num determinado
momento da conversa, comecei a fantasiar comigo mesma como seria
ótimo conhecer aquela mulher ao mesmo tempo interessante e
sedutora, fazê-la sentir como era ser amada por outra mulher,
imaginei o prazer que eu lhe daria, levando-a a ter sensações talvez
desconhecidas para ela. Parecia um sonho.
No dia
seguinte, o penúltimo do congresso, saímos à tarde para fazer
compras na cidade, andamos muito pelas ruas de São Paulo e voltamos
ao hotel. Janaína então sugeriu que fôssemos até o bar tomar alguma
coisa e descansar, pois nossos pés estavam em petição de miséria.
Quando chegamos lá, para nosso desapontamento, o bar do hotel estava
abarrotado de gente e não havia nenhuma mesa onde pudéssemos nos
sentar. Sugeri irmos a um de nossos quartos e lá pedirmos algo para
beber. Pelo menos estaríamos mais sossegadas e longe daquela
multidão pavorosa. Janaína concordou, até porque estava com dor nas
costas e com os pés doloridos; ela precisava se sentar logo e tirar
os sapatos. Subimos até o quarto dela.
Ligamos para a
recepção e pedimos um vinho e algumas guloseimas para beliscar. Nos
servimos, sentamos uma em frente à outra, fizemos um brinde ao nosso
encontro e continuamos a conversar. Falávamos de coisas variadas,
das nossas atividades profissionais, das pessoas que faziam parte do
nosso dia-a-dia, dos prós e contras de cada um. Contei um pouco da
minha vida, que eu já tinha sido casada mas que não havia dado certo
e que não era aquilo exatamente o que eu buscava para mim.
A certa altura
Janaína se levantou para pegar mais vinho para encher nossas taças e
fez
uma careta de dor. Perguntei o que foi. Ela disse que ainda estava
com aquela dor nas costas, talvez devido à tensão nervosa daqueles
dias tão corridos. Perguntei-lhe se queria uma massagem e ela
brincou comigo:
“Não me diga
que você também é massagista!”
Eu disse que
tinha aprendido umas técnicas de relaxamento e que talvez elas
ajudassem a aliviar a dor. Ela ficou meio indecisa, não soube o que
responder na hora, então deixei pra lá e comecei a falar sobre
outras coisas. Dali a pouco, meio sem graça, Janaína disse,
baixinho, que aceitava a massagem. Ainda brinquei com ela: “Nossa, a
dor está tão forte que você quase não consegue falar...”.
Demos uma bela
risada juntas, parecíamos duas crianças. Pedi a ela que tirasse
apenas a blusa e o sutiã e se deitasse de bruços na cama. Percebi
que ela ficou meio tímida, meio em dúvida, mas acabou fazendo o que
eu havia sugerido. Fui até minha bolsa e peguei um óleo de amêndoas
doce que eu sempre carrego comigo por causa da minha pele meio
ressecada. Acendi o abajur da cabeceira, apaguei a luz dos spots,
explicando que a penumbra daria mais tranqüilidade e relaxamento.
Sentei ao lado
dela na cama, passei o óleo nas mãos e em seguida espalhei-o
delicadamente pelas costas de Janaína. Ao tocar sua pele macia,
senti um arrepio percorrer-me o corpo e em Janaína percebi algum
sinal, algum recado oculto de que ela desejava mais do que aquilo.
Pensei: “Será que adormeci e estou sonhando? Eu, ela, aqui juntas,
no mesmo quarto, na mesma cama...”.
Eu
parecia estar nas nuvens, quando ouvi sua voz me dizer baixinho:
“Posso tirar a calça? Não estou totalmente à vontade, não estou
conseguindo relaxar, minhas energias não estão fluindo livremente
como deveriam.”
Eu respondi que sim, que ela podia tirar a calça, e pedi que se
virasse de costas. Como seus seios eram lindos! Comecei a
massagear a barriga de Janaína, seu ventre, o entorno do umbigo,
fazendo círculos com as mãos, como se eu estivesse dançando
delicadamente em cima daquela linda mulher. Janaína sugeriu que eu
tirasse a blusa, para não sujá-la com o óleo de amêndoas. Tirei a
blusa e aproveitei para tirar a calça também. Em seguida,
perguntei se ela se incomodaria que eu ficasse sem sutiã. Ela
disse que não. Percebi que olhava meus seios com um pouco de
timidez. Meio sem jeito, me disse que eles eram lindos.
“Essa é a deixa”, pensei, “será que ela está a fim?...”
Enquanto eu a massageava, ela fechava os olhos e soltava uns
gemidos leves, quase imperceptíveis, e aquilo me fez sentir uma
excitação tão grande que, quando me dei conta, estava massageando
os seios dela. Perguntei a Janaína:
“Você gosta?”
Me olhando bem nos olhos, ela murmurou:
“Sim... muito...”
Então curvei mais o corpo e deixei meus mamilos roçarem seu rosto.
Nossos olhares se cruzaram novamente. Num pedido quase mudo, eu
disse a ela:
“Eu adoraria que você...”
Ela entendeu e passou os lábios nos meus mamilos, depois começou
a lambê-los e em seguida a sugá-los com tal prazer que me fez
gemer baixinho. Minhas mãos continuavam a massageá-la e, com os
dedos ainda untados de óleo, senti brotar em seu sexo o líquido
abundante. Eu estava excitadíssima, desci sobre Janaína,
arranquei-lhe a última peça de roupa que ainda vestia, abri suas
pernas e com os dedos toquei-a. Ela se contraiu toda, passei o
rosto em seu sexo, sentindo o cheiro daquela mulher que me
enlouquecia, e em seguida comecei a lambê-la. Abri seus pequenos
lábios com a língua, senti seu clitóris rígido, então comecei a
apertá-lo, fazendo pressão ora nele, ora em seus lábios. Ela me
disse:
“Você está me deixando louca, meu amor, completamente louca...”
“ Você também, meu bem... Eu estou louca de tesão por você...”
Havia um clima tão erótico no ar, já impregnado dos nossos cheiros
mais íntimos, que uma atmosfera autônoma foi-se gerando em torno
de nós, um perfume de libidinagem, de desvario e de puro tesão.
Então percebi que ela começou a sentir que iria ter um orgasmo e
ouvi-a dizer:
“Não pare, continua, meu amor, continua... Você está me matando de
tesão... acho que vou gozar, não pare, não pare...”
Continuei a penetrá-la com os dedos e a sugar aquela boceta linda
e cheirosa, quando ela soltou um gemido e eu senti aquele líquido
abundante na minha boca, no meu rosto, vendo-a se entorpecer de
tesão até a última gota.
Mesmo depois do orgasmo, continuei a sugá-la. Eu enfiava e tirava
a língua com tanta energia que era como se eu tivesse várias
línguas, até que Janaína começou a tremer toda de intenso prazer,
como se estivesse prestes a ter outro orgasmo. Puxou minha cabeça
docemente para perto de si e começou a me beijar como em
reconhecimento pelo prazer intenso que estava sentindo. No início
foi um gesto carinhoso, quase de adoração, mas à medida que nossas
línguas começaram a se lamber, a se roçar, a se embater nervosas e
despudoradas, uma sede de sexo foi tomando cada vez mais conta de
mim e nossas bocas se colaram num beijo demorado e furioso,
selvagem, um beijo quase animal. Nossas línguas dançaram e se
atracaram famintas como duas guerreiras apaixonadas.
O cheiro daquela mulher me enlouquecia de tesão. Seu perfume,
misturado à sua saliva e aos cheiros de mulher que pareciam exalar
mais que o normal, criava uma atmosfera sexual tão forte que
parecia que estávamos no cio. Sem parar de beijá-la, me deitei
sobre ela, esfregando meu corpo no seu, fazendo nossos seios se
beijarem, roçarem uns nos outros com sofreguidão. Escorreguei meus
lábios mais uma vez naquele peito lindo, comecei a chupar seus
mamilos, louca de volúpia. Rolava a língua sobre eles, sugava-os,
lambuzava-os de saliva, mordiscava-os, mamava-os furiosamente,
deixando-a numa excitação alucinante.
Sussurrei:
“Tá gostando, meu amor?”
“Demais... demais...”
“Não estou agüentando mais”, eu disse, “você me enlouquece...”
Gozei intensamente junto com aquela mulher linda, maravilhosa e
que me deixou alucinadamente apaixonada.
Após
aquela loucura de amor, deitei-me em seu peito, olhei-a nos olhos e
perguntei se ela havia se ofendido com algumas coisas mais obscenas
que eu havia dito. Ela demorou um pouco para responder, mas em
seguida falou:
“Normalmente,
eu teria ficado ofendida, sim, mas quando você falou, sei lá por
quê, não fiquei, não.”
Conversamos um
pouco sobre isso e sobre os tabus que as pessoas têm de falar coisas
durante o sexo, com medo de chocar o outro. Ela me perguntou se eu
me sentia mais atraída por mulheres. Eu respondi que nem sempre foi
assim, afinal já tinha sido casada, ri, e disse que minha vida era
um rolo só!!!
Contei que
tinha dois filhos daquele casamento e que havia sido um casamento
mais por conveniência do que realmente por amor ou desejo. Contei
que de vez em quando tinha experiências com mulheres, mas que não
entrava de cabeça, que algumas delas até viraram minhas amigas,
outras não. Janaína me perguntou o que me impedia de entrar de
cabeça. Falei que era por causa dos meus filhos e da minha família,
eles jamais aceitariam, e no trabalho também.
“Sou muito
conhecida na minha área, as coisas poderiam se complicar”, eu disse.
Janaína
insistiu em saber se eu gostava mais de mulheres que de homens.
Respondi que tive poucos namorados na adolescência e que na verdade
eu preferia a companhia de outras garotas.
“Quando eu
tinha 16, 17 anos, chegou a rolar uma ou duas transas com meninas da
escola. Nada de ir muito longe, ficávamos apenas naquelas
pegadinhas, beijinhos, amassos. Mas aí fiquei com medo de ser
rotulada de lésbica e me afastei delas. Achei até que eu fosse mesmo
lésbica, mas não sabia como assumir. Entrei para a faculdade,
conheci meu marido, nos casamos, tivemos dois filhos, e até hoje eu
não sei por que tudo aconteceu tão rápido assim. Mas nunca deixei de
notar um certo tipo de mulher, entende? Não podia evitar, sempre foi
algo mais forte do que eu, mas ficava só naquilo, em olhares. Quando
me separei, em nenhum momento pensei em voltar a sair com homens;
pelo contrário, meu desejo de estar com outra mulher só aumentou.
Sempre me senti atraída por mulheres bonitas, femininas. Chegava
mesmo a me masturbar pensando nas atrizes lindas que eu via na
televisão. Vivia muito excitada, só pensava em fazer sexo com outra
mulher, só não sabia com quem começar...”
Rimos juntas.
E então foi
minha vez de perguntar a Janaína como ela estava se sentindo. “No
momento, não sei”, ela disse, “é tudo ainda muito novo pra mim, tudo
isso que estou vivendo agora é muito diferente, mas não me sinto
mal, sabe aquela sensação de estar fazendo algo errado? Não estou me
sentindo culpada de nada... dá pra entender?”
Respondi que
entendia e que na minha cabeça estava resolvido assim:
“Adoro
mulheres, agora tenho certeza disso, não que eu não vá sair de novo
com homens, só se pintar, mas correr atrás de outro, nem pensar.
Resolvi dessa forma na minha cabeça, acho que tudo é uma questão de
momento, depende da situação pela qual você está passando.”
Eu disse a
Janaína que sempre tive atração física por mulheres como ela, sei lá
por quê, aquelas que fazem tipo: meigas, dengosas, sorridentes,
carinhosas, carentes.
Ela me
perguntou se eu estava arrependida de ter me envolvido com ela, e eu
disse que jamais, que dificilmente me arrependo quando faço alguma
coisa que veio do mais fundo da minha alma, e que a tinha achado uma
mulher atraente, bonita, de classe. Janaína começou a rir.
“Não ria, é
sério mesmo, juro, eu curti você desde o primeiro dia em que te
conheci. Lá no fundo, bem no fundinho, havia uma mulher muito
carente que precisava ser amada. Errei?”
“Não, não
errou”, ela respondeu, mordendo os lábios.
“Foi quando
comecei a te massagear que meu tesão aumentou ainda mais”, eu
confessei. “Depois que vi teus seios, a minha libido então foi a
mil. Aí perdi um pouquinho a cabeça e não consegui me controlar,
precisava amar você.”
Uma onda de
calor começou a se propagar em mim outra vez, se espalhando pelo meu
corpo como uma gota de tinta concentrada que vai se colorindo pouco
a pouco. Janaína entrebriu um pouco mais as coxas e se ofereceu de
novo para que eu a amasse. Foi lindo, maravilhoso, fizemos amor
durante aquela noite toda, nos dando prazer, esquecendo que o mundo
lá fora existia.
Depois de
tudo, nos abraçamos e eu me vesti para voltar ao meu quarto. Janaína
ficou me olhando e perguntou se eu tinha mesmo que ir. Eu disse que
sim, que precisava subir e telefonar para casa, saber como iam as
coisas, já que fazia tempo que eu estava fora.
Ela me
acompanhou até a porta, dei-lhe um beijo daqueles como se fosse o
primeiro e o último, e disse:
“Durma bem,
meu amor, a gente se vê amanhã. Se precisar de qualquer coisa, você
sabe o número do meu quarto, é só chamar.”
Depois,
sozinha em meu quarto, envolta no roupão, uma crescente certeza me
dizia que dali em diante nem eu nem Janaína seríamos mais as mesmas.
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